Controle e Proteção do
Sistema de Geração da Aeronave

A regulação de tensão, as funções de controle da geração e as proteções de sobretensão, subtensão e sobre-excitação

Bibliografia: INSTITUTO DE AVIAÇÃO CIVIL. Aircraft electrical systems: AC 65-9A — Cap. 9: Geradores e motores. Acessar material Acesso em: 16 set. 2026.
FEDERAL AVIATION ADMINISTRATION. Aviation maintenance technician handbook — General: FAA-H-8083-30A — Cap. 12. Acessar material Acesso em: 16 set. 2026.

Prof. Fabriciu Alarcão Veiga Benini
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico · Área Aeronáutica
Engenheiro Eletricista · Mestre em Sistemas Dinâmicos · Doutor em Telecomunicações
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SÃO PAULO
Campus São Carlos
Cenário

A tensão da barra precisa ser constante

  • O equipamento da aeronave opera numa tensão definida.
  • A operação eficiente depende de tensão constante do gerador.
  • Mas a tensão de saída de um gerador não é constante por natureza.
  • Duas perturbações a fazem derivar: a carga, que muda a cada instante, e a rotação do motor.
  • Daí as duas frentes: regular a tensão e proteger contra o que a afasta do valor.
Cenário

Como se controla a tensão: a excitação de campo

  • Só um fator da tensão de saída é controlável: a corrente de campo.
  • Exemplo da fonte: um reostato no circuito de campo.
  • Mais resistência → campo fraco → tensão cai.
  • Menos resistência → campo forte → tensão sobe.
  • Controla-se a excitação; a tensão é o efeito.

corrente de campo → fluxo magnético → tensão induzida

enrolamentode campofluxovoltagemcaisobeR sobeR caireostatocampotensãomais R,menos Vmenos R,mais V
Cenário

O cenário: a geração elétrica na aeronave

  • O gerador entrega à barra pelo contator de linha — os contatos ligam e desligam a máquina.
  • A barra equalizadora liga um gerador ao outro: é o canal de comparação.
  • Quem segura a tensão da barra é o regulador de voltagem, que mora junto ao gerador.
  • No começo, esse regulador era uma peça física separada: uma caixa pequena, com contatos que abriam e fechavam dentro dela.
gerador Agerador BbarraGCUde geraçãoexcitaçãobarraequalizadoracontator
Cronologia

Antes da unidade eletrônica: como se regulava a tensão

  • Regular é sempre o mesmo: medir a saída, comparar com uma referência, corrigir o erro.
  • O que mudou não foi a lógica — foi quem executa a correção.
  • Nos primeiros reguladores, era um contato que abria e fechava, movido por uma bobina.
  • A sequência: contato → pilha de carvão → vibratório → amplificador magnético → transistor → unidade eletrônica.
amostracomparaerroquem fazia a correçãocontatoabre e fechabobinaforça e binárioa lógica é a mesmamudou quem corrige
Cronologia

Gerador CC e alternador: duas máquinas, dois reguladores

  • Gerador CC é o dínamo: corrente contínua por comutação e escovas.
  • Alternador é o gerador CA: sem escovas, corrente alternada, que vira contínua na TRU.
  • As duas entregam 28 V na mesma barra — mas cada uma tem o seu regulador.
  • Do dínamo: pilha de carvão, vibratório, amplificador magnético. Do alternador: transistorizado.
gerador CCo dínamoescovase comutador28 Vna barraalternadorgerador CATRUretifica a CA28 Vna barraas duas chegam à mesma barracada uma com o seu regulador
Reguladores clássicos

Pilha de carvão: o princípio

  • Reguladores de contato não servem à corrente de campo alta: os contatos furam ou queimam.
  • Grande carga de campo exige outro tipo: a pilha de carvão.
  • Discos de carvão sobrepostos, em série com o enrolamento de campo.
  • A pilha governa a corrente de campo — e a tensão de saída.
  • A resistência varia inversamente com a pressão: aperta → cai.
  • Pressão reduzida → mais ar entre discos → resistência maior.

resistência da pilha cai quando a pressão aumenta

Figura da aula
Como ler a figuraApertar junta os discos: a resistência cai e a voltagem sobe.
Reguladores clássicos

Pilha de carvão: as duas forças e o ciclo

  • Duas forças opostas sobre a pilha:
  • mola comprime a pilha → mais pressão, menos resistência;
  • eletroímã alivia a pressão → mais resistência.
  • O eletroímã é excitado pela tensão a regular — isso fecha a malha.
  • Tensão sobe → eletroímã cresce → resistência sobe → menos campo → tensão cai.

em equilíbrio: força da mola = força do eletroímã, para a tensão ajustada

Figura da aula
Como ler a figuraDuas forças em lados opostos: a mola aperta e o eletroímã alivia — o equilíbrio fixa a voltagem.
Reguladores clássicos

Pilha de carvão: ajuste e conservação

  • O botão de regulagem é o reostato pequeno: desloca o ponto de equilíbrio.
  • Instrumento de precisão: limpar terminais e contatos, checar rachaduras, firmar ligações.
  • Voltímetro portátil de precisão é obrigatório — perde precisão sob vibração ou choque.
  • Ajuste: máquina aquecida, voltímetro do terminal "B" à massa, ajustar até 28 V.
  • Inspeção final: a barra deve indicar 28 V ± 0,25 V; fora disso, reajustar.

ajuste final da barra = 28 V ± 0,25 V

Figura da aula
Como ler a figuraO botão de regulagem mexe o reostato: o ponteiro do voltímetro no terminal "B" mostra a faixa.
Reguladores clássicos

Regulador vibratório: princípio e ciclo

  • Em vez de variar resistência, insere e retira um reostato (resistor com ajuste) do campo.
  • Um contato abre e fecha muitas vezes por segundo; a tensão é a média do ciclo.
  • Com "K" aberto, ajusta-se o reostato de campo para que a máquina dê cerca de 60% da tensão nominal.
  • Fechar "K" curto-circuita o reostato: a corrente de campo e a tensão sobem.
  • Acima do crítico, o solenoide abre o contato; abaixo, a mola o fecha.

tensão regulada = valor médio do ciclo abre-fecha

Regulador vibratório: solenoide, contato e reostatoRegulador vibratório: detalhe do contato e do reostato
Como ler a figuraO solenoide abre e fecha o contato K: K fechado põe o reostato em curto.
Reguladores clássicos

Vibratório: amortecedor, centelha e limites

  • Amortecedor (pistão "P"): operação suave; evita ultrapassar o equilíbrio.
  • Capacitor "C" no contato: elimina as centelhas do circuito indutivo.
  • Limite: não serve a geradores de alta corrente de campo — os contatos furam.
  • Item crítico: a vida do contato. Inspecionar superfícies queimadas, a mola e o capacitor.
  • Contato em mau estado produz vibração irregular e tensão instável.
  • O que decide o uso é a corrente que o contato interrompe.
pistão Pamortececapacitor Capaga a centelhaoscilação que se suavizacentelha apagadalimite: a corrente interrompida
Reguladores clássicos

Regulador com amplificador magnético

  • É um regulador estático: sem partes móveis — a estabilidade é elétrica.
  • A ponte de referência gera um erro com polaridade; os estágios magnéticos o amplificam.
  • O contato mecânico é trocado por enrolamentos de controle em malha fechada.
  • Mantém a variação da tensão de saída na ordem de 1%.
  • O preço: é mais pesado e maior que o de pilha de carvão.

variação da tensão de saída ≈ 1% da tensão regulada

circuito de referênciaerro com polaridade1º estágio magnético2º estágio magnéticocampo do excitadorsem partes móveis
Reguladores clássicos

Os três reguladores comparados

  • Pilha de carvão: resistência em série com o campo — aperta, cai.
  • Vibratório: um contato abre e fecha; a tensão é a média.
  • Amplificador magnético: estático, sem partes móveis — ~1%.
  • No sistema CA, a amostra chega ao regulador por transformador trifásico redutor e retificador de onda completa; a bobina de voltagem recebe 28 V.
  • O regulador de alternador usa um transformador antioscilante (ou de amortecimento) — abafa a oscilação da voltagem do excitador.
  • Decide o uso a corrente de campo e a precisão exigida.
carvãovibratóriomagnéticoaperta, caiabre e fechaestáticodecidem: campo e precisão
Regulador transistorizado

Por que o transistor substitui o vibratório

  • O único fator controlável comodamente é a corrente de campo.
  • No vibratório, um contato abre e fecha inserindo e retirando resistência do campo.
  • É a corrente que o contato interrompe que limita o vibratório: alta, os contatos furam.
  • O transistor troca esse contato por chaveamento eletrônico.
  • Não há contato que abre sob corrente — o modo de falha desaparece.
  • Nos alternadores, a regulação age no campo do excitador.
contato interrompe a correntecorrente alta fura o contatotransistor: chaveamentoo modo de falha desapareceregulador → campo do excitador→ campo do rotor → saídanos alternadores, a regulaçãoage no campo do excitador
Regulador transistorizado

O que o transistor muda no circuito de campo

  • Nos eletromecânicos, a corrente de campo se ajusta inserindo ou retirando resistência.
  • No transistorizado, a corrente flui por um diodo e um transistor até o campo.
  • Ao atingir o nível de voltagem, o transistor entra em corte.
  • A comutação é interna, por sinal elétrico: não há contato que abre sob corrente.
  • Três terminais — emissor, base, coletor: um sinal pequeno na base controla a corrente de coletor.
  • Construção: transistores, diodos, resistores, capacitores e um termistor.
Figura da aula
Como ler a figuraCorrente: do diodo pelo transistor até o campo.
Regulador transistorizado

O diodo Zener: a referência de tensão

  • O regulador precisa de uma tensão que não varie: o padrão de comparação.
  • O Zener, polarizado inversamente, mantém constante a tensão sobre ele.
  • Quem absorve a variação é o R2 em série; no esquema, é o CR5 entre C e D.
  • Ele define a referência — não a saída do gerador.
  • 28 V e 6,2 V de Zener → V_R2 = 28 − 6,2; I_Zener = (28 − 6,2) ÷ R2.
entrada que variaR2ponto CCR5tensão travadaponto Dentradasobre o Zenero R2 acende quando a entrada sobeele absorve a variação da pernao Zener define a referência
Regulador transistorizado

A ponte de referência

  • CR1 retifica a saída de T1 e alimenta a ponte.
  • Primeira perna: R2 até C; o Zener CR5 de C a D.
  • Segunda perna: R9 e o cursor de R7 com o compensador RT1.
  • Se a voltagem cai, só a queda em R2 muda; o Zener fica constante.
  • As pernas reagem de forma desigual; a diferença é o sinal de erro → V_R2 = V_CR1 − V_Zener e erro = V_C − V_cursor(R7).
Figura da aula
Como ler a figuraPrimeira perna: R2 → C → Zener CR5 → D. Segunda perna: R9 → cursor de R7 → RT1. CR5 = diodo Zener (referência estável); R7 = potenciômetro de ajuste fino; RT1 = sensor de temperatura.
Regulador transistorizado

A detecção do erro: o ponto C contra o cursor de R7

  • A ponte entrega a saída (entre C e A) à base de Q1.
  • Saída caiu: C fica negativo em relação ao cursor de R7.
  • Saída subiu: a polaridade entre os dois pontos se inverte.
  • Saída baixa polariza Q1 direto; a corrente emissor–coletor cresce.
  • Erro com polaridade: o módulo diz quanto; o sentido, para onde corrigir.
  • O cursor de R7 fixa o equilíbrio — a tensão de barra que o regulador mantém.
Figura da aula
Como ler a figuraOs dois pontos que decidem: C e o cursor de R7.
Regulador transistorizado

O transistor de potência no circuito de campo

  • O campo do excitador fica no coletor: o transistor de saída Q3 conduz a corrente de excitação.
  • Essa corrente é muito maior que o sinal na base: por isso Q3 é de potência.
  • Ele suporta a corrente contínua do campo e dissipa calor entre coletor e emissor.
  • Um diodo no caminho define o sentido da corrente de excitação.
  • Diferente do vibratório, não há contato que abra sob corrente de campo elevada.

P_dissipada = V_CE × I_campo

Figura da aula
Como ler a figuraTraço grosso é a corrente de campo; traço fino é o sinal na base de Q3.
Regulador transistorizado

A cadeia amplificadora: o sinal pequeno vira comando

  • O sinal da ponte é pequeno: não comandaria sozinho a corrente do campo.
  • A cadeia de transistores o amplifica em etapas — cada estágio entrega o sinal maior ao seguinte.
Q1R11Q4R10Q2R4Q3sinal pequeno → grande
Regulador transistorizado

O elo entre os estágios: o resistor de emissor

  • O elo entre um estágio e o outro é o resistor de emissor: a corrente que passa nele cria a tensão que abre a base do transistor seguinte.
  • Por isso a sequência traz dois nomes no meio (Q1 → R11 → Q4 → R10 → Q2 → R4 → Q3): os transistores amplificam, os resistores repassam o sinal.
  • Cada estágio conduz mais corrente que o anterior; o último (Q3) é quem controla a corrente de campo.
  • Um transistor em curto ou aberto corta o elo: o sinal não chega ao fim e a regulação cai.
Q1R11Q4R10Q2R4Q3Q3: comanda a corrente de campo
Regulador transistorizado

O transistor de saída e a excitação do alternador

  • Q3 conduzindo mais: mais corrente no campo do excitador, que responde com voltagem maior.
  • Essa voltagem vai ao campo do rotor do alternador — fecha-se a malha.
  • Atingida a referência, o transistor entra em corte e a saída volta ao ajustado.
  • A resposta é rápida: comando elétrico, sem massa mecânica a deslocar.
  • Na partida, a barra de 28 V CC alimenta o campo do excitador.
  • Quando a máquina produz, o relé K1 abre esse circuito inicial.
Figura da aula
Como ler a figuraDo coletor de Q3 sai a excitação até o campo do rotor. K1 = relé do circuito de excitação inicial.
Regulador transistorizado

O transistor como chave: a corrente média

  • Em regime, o transistor de saída só faz duas coisas: conduz ou entra em corte.
  • O que regula é o tempo em condução a cada ciclo: mais tempo, maior a corrente média de excitação.
  • O campo se comporta como indutância: responde à corrente média, não aos degraus.
  • Por isso a tensão de saída fica praticamente constante.
  • Modulação por largura de pulso (PWM): nome genérico do controle, sem frequência nem ciclo de trabalho.
pulsosmédiao campo responde à média
Regulador transistorizado

Estabilização e excitação inicial

  • A corrente média de excitação resulta do tempo em condução — o que o campo enxerga.
  • Estabilização: no transistorizado não há bobina; o amortecimento vem da realimentação do regulador.
  • Na partida, a barra de 28 V CC alimenta o campo por R27, R28 e R29 (resistores que limitam a corrente de excitação), com os contatos de K1.
  • Quando a máquina produz, K1 abre o circuito inicial e o regulador assume.
  • Interruptor de baixa velocidade: bloqueia a excitação com frequência baixa e libera quando sobe.
regulação =corrigir o valor médioestabilização =impedir a oscilação
A GCU

Da caixa de relés para a caixa eletrônica: a GCU

  • A GCU — Generator Control Unit — é o passo mais recente da sequência.
  • Ela aparece nas aeronaves a turbina, onde a geração em corrente contínua é a do sistema elétrico.
  • Antes, regulação, sensoriamento e proteção eram peças separadas, com seus relés.
  • Na GCU, tudo isso passa a morar dentro de um único módulo eletrônico.
Unidade de Controle de Geração (GCU)
Como ler a figuraA placa de identificação: um módulo que reúne o que eram caixas separadas.
O GCU

O que é o GCU e o que ele reúne

  • GCU é a sigla de Generator Control Unit: em português, Unidade de Controle de Geração.
  • É o módulo que, nas aeronaves a turbina, reúne regulação, sensoriamento e proteção da geração CC.
  • Antes, cada uma dessas funções era um componente separado.
  • Reúne: regulação de tensão, operação em paralelo, tensão diferencial, corrente reversa, sobretensão e sobre-excitação.
Figura da aula
Como ler a figuraO módulo é uma caixa só: o que antes eram peças separadas agora mora dentro dela.
O GCU

O GCU por dentro: o que vigia e o que comanda

  • Entradas: tensão de saída do gerador, barra de carga e barra equalizadora.
  • Saídas: comando da excitação de campo e do contator de linha.
  • A saída da GCU não é a corrente de carga.
  • Ela comanda o circuito de excitação e a lógica do contator.
  • Quem liga, desliga e regula a geração são esses dois elementos.
Figura da aula
Como ler a figuraProcure a placa de identificação e o conector: por ali entram as linhas que ela vigia e comanda.
Funções do GCU

O princípio da regulação: amostra, referência e erro

  • A regulação mede a saída e compara com uma referência.
  • Se a diferença sai dos limites, ajusta-se quem gera.
  • No GCU: a tensão é sensoriada e o erro é amplificado até o controle da excitação.
  • O ajuste vai até a tensão voltar à faixa aceitável da barra.
  • É um laço fechado: a saída volta à entrada.

erro = tensão amostrada − tensão de referência

Funções do GCU

Função 1: regulação de tensão

  • É a mais básica das funções da GCU.
  • A tensão de saída é sensoriada e comparada à referência.
  • Abaixo da referência → a excitação é aumentada.
  • Acima da referência → a excitação é reduzida.
  • A falha do próprio circuito de regulação causa a sobretensão.
amostracomparacom areferênciareferênciaerroexcitaçãotensão baixaexcita maistensão altaexcita menos
Funções do GCU

Função 2: operação em paralelo

  • Dois ou mais conjuntos GCU/gerador trabalham em esforço compartilhado.
  • As diferenças são amplificadas e ajustam a regulação até equalizar a carga.
  • Sem a barra equalizadora, o sistema não sabe quem carrega mais.
  • Sem a função, um gerador assume a maior parte da carga.
gerador Agerador Bmedemedebarra equalizadoraA carrega maisB aliviasem a barra, ninguém comparaum gerador assume tudo
A GCU

Os relés do contator: o antecessor da GCU

  • Esta figura é do sistema de corrente contínua antigo, com dínamo e escovas.
  • Três relés eletromecânicos faziam o serviço: relé de voltagem, relé diferencial e corrente reversa.
  • Os três atuavam sobre o contator principal, que liga e desliga o gerador da barra.
  • Na GCU, essas mesmas funções continuam — mas passam a ser executadas por eletrônica, sem peça móvel.
Relé de controle diferencial do gerador com contator principal
Como ler a figuraO retângulo acende, em sequência: contator principal, os dois conjuntos de relés e os terminais.
Funções do GCU

Função 3: tensão diferencial e o contator de linha

  • O contator só fecha se o gerador exceder a barra em 0,35 a 0,65 V.
  • Fora da faixa, não entra na barra.
  • "Diferencial" aqui é diferença de tensão, não de corrente.
  • No esquema eletromecânico, essa comparação era feita pelo relé diferencial — o da figura anterior.
  • Na GCU, a mesma comparação passa a ser feita por eletrônica, dentro do módulo.

Fechamento: +0,35 a 0,65 V sobre a barra

Figura da aula
Como ler a figuraAcompanhe os dois fios de cada fase entrando pela mesma abertura: é aí que a corrente é comparada.
Funções do GCU

Função 4: sensoriamento de corrente reversa

  • Um gerador que não sustenta a tensão passa a consumir corrente.
  • O sistema o vê como carga e o remove da barra.
  • No esquema eletromecânico, o relé de corrente reversa abria o contator principal.
  • Na GCU, o mesmo sentido de corrente é detectado eletronicamente.

Abertura por corrente reversa: V_gerador < V_barra

Figura da aula
Como ler a figuraSiga a seta: quando a corrente inverte, o campo enfraquece e a mola abre os contatos.
Proteções

Proteção de sobretensão: a lógica

  • A proteção de sobretensão raciocina como a regulação: mede a saída e compara com uma referência.
  • Muda o limiar: a referência fica acima da tensão nominal da barra.
  • Passado o limiar, age sobre a excitação de campo.
  • Sem excitação, a máquina não gera: a tensão cai.
  • Fonte: a causa mais comum é a falha do próprio circuito de regulação.

A referência de desarme fica acima da tensão nominal da barra.

Proteções

Sobretensão no esquema eletromecânico: o desarme e o rearme

  • No esquema antigo, o relé de sobrevoltagem fecha aos 32 V e alimenta a bobina de desarme.
  • O campo abre; o resistor de desarme o recompleta em paralelo — a tensão cai.
  • Abrem o interruptor do gerador e a equalização; acende a luz. Rearme: o RESET.
  • Na GCU não existe essa bobina: o módulo abre a saída de campo por eletrônica.
relé de 32 Vbobina dedesarmecamporesistorinterruptorigualaçãoluzRESET: volta ao normal
Proteções

Subtensão: o que a documentação sustenta

  • Não há, na documentação, uma proteção de subtensão dedicada, com limiar próprio.
  • O que existe são três situações reais de tensão insuficiente:
  • Tensão diferencial: o contator não fecha fora da tolerância da barra. Corrente reversa: o gerador que não sustenta a tensão é removido da barra.
  • Interruptor de baixa velocidade: impede a excitação com frequência baixa.
sem proteção dedicadatrês situações reaistensão diferencialcorrente reversainterruptor de baixavelocidade
Proteções

Proteção de sobre-excitação

  • Um gerador em paralelo tenta carregar mais do que sua parte quando uma GCU falha.
  • Onde é sensoriada: na barra equalizadora.
  • A cadeia: desequilíbrio → desexcitação → sobrevoltagem → abre a excitação de campo.
  • O módulo se desliga ao receber o sinal; o desarme é do circuito de sobrevoltagem.
  • Diferença da sobretensão: compara a divisão de carga, não a tensão.
  • A causa está no próprio módulo; o gerador é vítima.
1 · barraequalizadoradesequilíbrio2 · desexcitaçãoo sinal sai3sobrevoltagemrecebe o sinal4 · excitação decampoabrena barra equalizadora
Proteções

As proteções em conjunto

  • Mesma estrutura: amostrar, comparar com a referência e agir fora dos limites.
  • Sobretensão: tensão de saída — desliga a excitação no limiar.
  • Tensão diferencial: olha a tensão contra a barra e trava o contator.
  • Corrente reversa: olha o sentido da corrente e tira o gerador que consome.
  • Sobre-excitação: divisão de carga — desliga o módulo em falha.
  • O efeito final é sobre a excitação; o contator tira a máquina da barra.
mesma estruturasobretensãoa tensão de saídadiferenciala tensão da barracorrentereversao sentido dacorrentesobreexcitaçãona divisão da cargao efeito é na excitação
A malha de regulação

Do que é feita uma malha de regulação

  • Toda regulação encadeia quatro operações — as mesmas em qualquer regulador, do contato mecânico à GCU.
  • Sensoriamento: uma amostra da tensão de saída e uma da corrente.
  • Comparação: cada amostra é confrontada com uma referência estável.
  • Amplificação do erro: a pequena diferença vira sinal de comando de potência.
  • Atuação: ajusta a excitação do campo, único fator controlável da tensão.
  • Malha fechada: gerador → sensor → comparador → amplificador → excitação → campo → gerador.
geradorsensorcomparadoramplificadorexcitaçãocampo
Malha de regulação

O sensor de tensão

  • Função: produzir, da tensão da barra, um sinal proporcional de baixa potência para o comparador.
  • É a bobina de tensão: muitas espiras de fio fino, em paralelo com os terminais.
  • Corrente pequena, mas magnetiza o núcleo em proporção da tensão.
  • Nos sistemas com GCU, é um circuito derivador; a amostra é retificada e vai ao comparador.
  • Sensor não é voltímetro: o sensor alimenta a malha; o voltímetro só indica.

Barra: 28 V ± 0,25 V.

bobinade tensãobarra28 V± 0,25 Vsó indicasensor alimenta a malha
Malha de regulação

O sensor de corrente

  • Função: medir a corrente do gerador sem queda significativa em série com a carga.
  • Solução clássica: bobina de corrente — poucas espiras de fio grosso, em série com a linha.
  • Mesma ideia como derivação calibrada: um resistor que produz 0,5 V na saída máxima.
  • A queda é proporcional à corrente: medir a queda é medir a corrente.
  • Com GCU, a leitura sustenta sobrecarga, divisão de carga e corrente reversa.

E = I × R.

linhashunt1 A2 A3 AE = I × Ra queda
Malha de regulação

A tensão de referência

  • A referência é o padrão contra o qual a amostra é comparada: o alvo da regulação.
  • Se a referência varia, todo o sistema varia.
  • Nas versões eletromecânicas, a referência é mecânica: a tensão de uma mola calibrada.
  • Na pilha de carvão, é elétrica, ajustada por um reostato que desloca o ponto de equilíbrio.
  • Nas eletrônicas, é um elemento de tensão constante: no transistorizado, o diodo Zener.
  • Duas exigências: estabilidade com a temperatura e ajuste fino.
mecânicamolacalibradaelétricareostatoda pilhaeletrônicaZenerALVO da comparação
Malha de regulação

O comparador e a amplificação do erro

  • O comparador subtrai amostra e referência e produz um sinal de erro.
  • O erro precisa ter polaridade: um sentido diz "abaixo", o outro, "acima".
  • No caminho magnético, o enrolamento de corrente se soma ou se opõe ao de tensão.
  • No caminho eletrônico, a ponte gera uma diferença cujo sentido depende da tensão.

erro = amostra − referência.

referênciaamostraexcitar menosexcitar maiserro = amostra − referênciao erro tem polaridadeum sentido diz abaixo, o outro acima
Diagnóstico

O que falha num sistema de regulação

  • O sistema de regulação não é um componente só: a pane nasce em quatro naturezas.
  • O regulador ou a unidade de controle de geração — GCU (Generator Control Unit).
  • O circuito de excitação e o campo da máquina.
  • Os instrumentos de indicação: voltímetro, amperímetro e luzes de aviso.
  • A fiação e as conexões que ligam tudo à barra e à massa.
  • A falha do circuito de regulação dentro da GCU é a causa mais comum da sobretensão.
indicaçãoexcitaçãoregulaçãoligação
Diagnóstico

Classificar a pane por bloco, antes de desmontar

  • Antes de condenar a máquina, teste o instrumento: confira por outro gerador.
  • Instrumento bom: verifique fiação, escovas e acionamento.
  • Sem falha visível, o excitador pode ter perdido o magnetismo residual (campo magnético que sobra no ferro e serve de semente).
  • Sem tensão ainda, a máquina é a suspeita.
  • O curto entre os terminais "A" (do regulador) e "B" (à massa), na rotação de ensaio, separa gerador de regulador.
sintomaindicaçãoexcitaçãoregulaçãoligaçãoqual bloco é o responsável?antes de desmontar
Diagnóstico

Falha de regulação: tensão alta

  • Sintoma: a barra fica acima do ajustado, ou sobe com a carga.
  • Desfecho típico: a proteção atua e o gerador sai da barra.
  • Ajuste incorreto: a referência deslocada entrega excitação maior que o devido.
  • Curto entre "A" e "B": o controle é contornado e o campo recebe excitação máxima.
  • Regulador defeituoso: descartados o ajuste e o curto, substitui-se o regulador.
  • A proteção não é o defeito: é o aviso de que a regulação falhou.
Figura da aula
Como ler a figuraCaminho referência → comparador → cadeia → campo: o erro de comparação vira excitação maior que o devido.
Diagnóstico

Falha de regulação: tensão baixa

  • Sintoma: a barra fica abaixo do ajustado.
  • Numa máquina que entraria em paralelo, o contator de linha só fecha dentro da tolerância da barra.
  • Fora dela, o gerador não entra na barra.
  • Onde procurar: ajuste inadequado do regulador e ligações frouxas.
  • Tensão que cai após um tempo de operação indica regulador não aquecido antes do ajuste.
  • Rotação baixa: o interruptor de baixa velocidade bloqueia a excitação de propósito — não é falha.
Figura da aula
Como ler a figuraO interruptor em F+ abre e fecha o caminho da excitação. F+ = terminal de campo.
Diagnóstico

O GCU que não excita: a cadeia de excitação

  • A excitação é o último elo da cadeia: amostra, referência, erro, ajuste no campo.
  • Sem tensão não há erro a corrigir: a partida exige excitação inicial.
  • No arranque, a barra de 28 V CC alimenta o campo; o relé K1 abre esse circuito ao subir a tensão.
  • No alternador sem escovas, ímãs permanentes entre os polos elevam a tensão residual.
  • O interruptor de baixa velocidade condiciona a excitação; sem ela o gerador não entra na barra.
Figura da aula
Como ler a figuraSiga a volta: amostra → comparação → erro → excitação → tensão → amostra; sem tensão inicial, não há erro a corrigir.
Diagnóstico

O GCU que não excita: o que verificar, em ordem

  • Ordem: voltímetro primeiro; depois fiação, escovas e acionamento.
  • Não resolvido, suspeitar do magnetismo residual do excitador.
  • Recuperação: remover o regulador e ligar o terminal "A" (do regulador) à bateria, com o motor em cruzeiro.
  • FLASHER (botão de excitação): ON momentâneo — não o segure; mantê-lo ligado danifica as bobinas.
  • Persistindo zero, procurar curtos e massas; sem tensão ao excitar, trocar a máquina.
  • Relé de corrente reversa: fechar ao acelerar e sair da barra; senão, defeituoso.
Figura da aula
Como ler a figuraCinco zonas em ordem: voltímetro, fiação, magnetismo, FLASHER e máquina.
Diagnóstico

A árvore de diagnóstico: eliminar um bloco por vez

  • As decisões são encadeadas: cada resposta descarta um bloco e reduz o universo a investigar.
  • O valor está na ordem — onde parar —, não em adivinhar o defeito.
1indicação confiável?testar o voltímetroelimina: voltagem errada2existe tensão?fiação e escovaselimina: acionamento3valor na faixa?ajuste e ligaçõeselimina: máquina4entra na barra?contatoreselimina: proteções5desfechotrocar a peçacada decisão elimina um bloco
Diagnóstico

Os critérios de cada nível da árvore

  • Indicação confiável? Testar o voltímetro contra outro gerador ou contra outro instrumento.
  • Existe tensão? Não: fiação, escovas, acionamento, magnetismo residual; persistindo zero, máquina defeituosa.
  • Valor na faixa? Alto: ajuste ou curto "A"-"B"; baixo: ligações frouxas; instável: fiação.
  • Entra na barra? Não fecha: tensão diferencial ou corrente reversa; desarma depois: sobretensão e sobre-excitação.
indicação confiável?existe tensão?valor na faixa?entra na barra?
Diagnóstico

A sequência de verificação e ajustagem

  • Máquina aquecida; voltímetro de precisão do terminal "B" à massa.
  • Ajustar em 28 V, repetir para todos, acelerar os motores e fechar os interruptores.
  • Aplicar carga: metade da carga de um gerador em sistema de dois.
  • Comparar os amperímetros: a diferença entre maior e menor segue o fabricante.
  • Divisão desigual: baixar a velocidade do mais alto e elevar a tensão do mais baixo.

faixa aceitável da barra = 28 V ± 0,25 V, isto é, de 27,75 V a 28,25 V.

Figura da aula
Como ler a figuraAcompanhe os passos: medidor no terminal "B", giro do botão, aplicação de carga, comparação dos amperímetros e a barra na faixa.
Diagnóstico

A barra equalizadora: dividir carga e denunciar falha

  • Sobre-excitação: percebida na barra, gera sinal de desexcitação; a sobretensão abre a saída do campo.
  • Corrente reversa: o gerador que consome sai da barra e só retorna com as falhas sanadas.
  • A bobina de equalização auxilia a voltagem de um regulador e se opõe à do outro, até as quedas igualarem.
  • O RESET da cabine rearma o relé de controle de campo; o rearme da GCU não é descrito.

divisão igual ⇔ ΔV₁ = ΔV₂, isto é, I₁ = I₂ no resistor calibrado.

Figura da aula
Como ler a figuraDois filetes de corrente descem e sobem até as quedas igualarem; o desvio passa pela bobina de equalização.
Fecho

O GCU no sistema elétrico da aeronave: regular, equalizar, proteger

  • Do contato mecânico à caixa eletrônica: a mesma tarefa, cada vez mais precisa.
  • O que regula mantém a tensão; o que protege retira a máquina da barra quando a regulação falha.
  • O que equaliza divide a carga e denuncia a máquina que passou a consumir ou a sobre-excitar.
  • Sobretensão: abre a saída da excitação. Tensão diferencial: só autoriza o contator dentro da tolerância.
  • Corrente reversa: retira o gerador que consome. Sobre-excitação: desexcita a GCU com falha.
Figura da aula
Como ler a figuraTrês faixas em sequência: regular, equalizar e proteger.
Fecho

Por que isso importa para o técnico de célula

  • O equipamento da aeronave opera numa tensão definida e, no CA, numa frequência definida.
  • Tensão fora de faixa não é imprecisão: é falha de função e risco ao que depende dela.
  • Por isso o sistema regular, equaliza e protege.
  • O técnico de célula diagnostica por bloco — instrumento, ligação, excitação, regulação, proteção — antes de trocar peça.
  • Só afirmar o que a documentação sustenta é postura de serviço.
Figura da aula
Como ler a figuraOs três verbos acendem um a um e ficam acesos juntos: regular, equalizar e proteger num só conjunto.
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