Capa do módulo

Introdução à Energia Solar Fotovoltaica

Módulo 3 — Dimensionamento e viabilidade econômica

Bibliografia: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO. Projeto de sistemas fotovoltaicos de microgeração. Editora do IFSP, 2024; MARTINS; PEREIRA. Energia solar: estimativa e previsão de potencial solar. Appris, 2019; FERNÁNDEZ Y FERNÁNDEZ. O sol vai voltar amanhã. Lexikon, 2020; PAMPLONA; AQUILA. Engenharia Econômica e Avaliação de Projetos. Freitas Bastos, 2025; VIAN et al. Energia solar: fundamentos, tecnologia e aplicações. Blucher, 2019.

Prof. Fabriciu Alarcão Veiga Benini
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico · Área Aeronáutica
Engenheiro Eletricista · Mestre em Sistemas Dinâmicos · Doutor em Telecomunicações
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SÃO PAULO
Campus São Carlos · Curso de Extensão em Energia Solar Fotovoltaica (8 horas)
Abertura do módulo

Você sabe ler a sua conta de luz?

  • 1Antes de explicar qualquer coisa, uma pergunta abre o módulo.
  • 2Você sabe ler a sua conta de luz? O que mais confunde nela?
  • 3Não há resposta errada — as respostas começam a conversa.
  • 4O sistema passa a ter número: quantos módulos, de que tamanho, quanto custa.
  • 5Se a conta estiver perto, repare só nos kWh do mês.

Fonte: roteiro do Módulo 3, Fase 1.

tarifaconsumokWhconta de luzenergiasem gabarito
O percurso do módulo

O caminho deste módulo

  • 1Quantos módulos o sistema precisa?
  • 2De que tamanho são esses módulos?
  • 3Quanto custa o sistema?
  • 4O que esse custo significa, comparado com a conta?
  • 5O percurso vai da conta de luz ao custo de cada kWh.

Fonte: roteiro do Módulo 3, Fase 1.

quantostamanhocustoresultada conta ao kWh
As três viabilidades

Antes de projetar, três viabilidades

  • 1Viabilidade econômica — a demanda e a disposição a investir.
  • 2Viabilidade técnica — as condições do local (o sombreamento).
  • 3As normas da concessionária — o que a distribuidora exige.
  • 4Quanto melhor a relação entre o investimento e o que o sistema gera, maior o interesse.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 34.

econômicatécnicanormasantes de projetar
O que a conta informa

A conta traz os dados da ligação

  • 1A conta de luz traz os dados da ligação.
  • 2Classe de consumo — rural, residencial ou comercial.
  • 3Tipo de ligação — monofásica, bifásica ou trifásica.
  • 4Tensão de fornecimento.
  • 5São esses dados que mudam o projeto e preenchem documentos.
  • 6No recorte desta conta, ficam no cabeçalho (não recortado).

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 35.

classeligaçãotensãofora do recorte
O que a conta informa

O histórico de consumo na conta

  • 1A conta traz, mês a mês, o histórico de consumo (os kWh).
  • 2É desse histórico que sai o consumo médio.
  • 3Os meses variam: há meses maiores e meses menores.
  • 4O projeto não usa o mês de maior consumo, e sim a média.
  • 5A tarifa aparece fora deste quadro.

▸ kWh = a unidade da conta de luz.

Conta de energia: histórico de consumo destacado (kWh de cada mês)
Como ler a figuraO quadro vermelho destaca só o histórico de consumo (os kWh por mês). A tarifa fica fora do quadro.
O consumo do projeto

Consumo médio mensal

  • 1Não é o mês de maior consumo: é a média dos últimos 12 meses.
  • 2Soma o consumo dos 12 meses e divide por 12.
  • 3No exemplo do livro, dá 239 kWh.
  • 4O sistema deve gerar esse valor por mês (os créditos compensam).
  • 5O sistema é dimensionado pela média, não pelo pico.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 35-36.

÷ 12239 kWh12 mesesmédia, não pico
O consumo do projeto

E o consumo que ainda vai crescer?

  • 1A média mostra o consumo de hoje; o sistema fica anos na casa.
  • 2Se houver planos de aumentar o consumo, a média passada não basta.
  • 3Estime um valor médio mensal para cada equipamento novo.
  • 4Some esse valor ao consumo médio da casa.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 36.

hojeaparelho novoprever o consumo que vem
O consumo do projeto

O consumo mínimo: a parte que engana

  • 1A concessionária pode cobrar um consumo mínimo.
  • 2Consumo baixo na conta não significa consumo baixo na casa.
  • 3Se existir consumo mínimo, desconte-o da energia a gerar.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 36.

mínimocontacasanão mostra tudo
Do papel ao telhado

A visita técnica

  • 1A conta diz quanto gerar; o telhado diz onde cabe.
  • 2Olha-se a estrutura, a área útil, as águas e a direção.
  • 3Os módulos vão preferencialmente para o norte.
  • 4Não sendo possível, há perdas que se compensam com mais módulos.
Imagens do local obtidas na primeira visita técnica
Como ler a figuraQuatro fotos do mesmo lugar: rua/fachada, quadro, fiação e disjuntor.
Do papel ao telhado

O padrão de entrada

  • 1A conta diz a categoria e a tensão da ligação; confere-se com isso o padrão de entrada (medidor, disjuntor, cabo, caixa e aterramento).
  • 2No exemplo: categoria B1, tensão 127/220 V (faixa de carga 12 a 18 kW).
  • 3Faltando adequação, é trabalho de um eletricista.

Fonte: CPFL, reproduzida em GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 38 (quadro redesenhado).

Como ler a figuraColunas = categorias; linhas = itens. Desça pela coluna da sua categoria. A1/B1/C1 ≠ “grupos A e B” da ANEEL.
Categoria B1 · 127/220 VCarga (kW)12 ≤ C ≤ 18Cabo (mm²)16CaixaIIDisjuntor (A)63Aterram. (mm²)10
A contratação

Os documentos da contratação

  • 1Três documentos: documento de identificação (RG ou CNH).
  • 2A conta de energia.
  • 3Procuração com firma reconhecida em cartório.
  • 4Os três no mesmo nome e no mesmo CPF ou CNPJ.
  • 5Se a conta for empresa (CNPJ), somam-se contrato social e cartão CNPJ.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 6, p. 38.

identificaçãoconta de luzprocuração✓mesmo nome, mesmoCPF/CNPJ
O sol do lugar

O recurso solar do lugar

  • 1O mesmo painel gera diferente em cada lugar do Brasil.
  • 2O que muda é o recurso solar do lugar.
  • 3Cada região recebe uma quantidade diferente de sol ao longo do ano.
  • 4O dimensionamento começa pelo recurso solar — dado público e gratuito.

▸ Recurso solar = o quanto de sol aquele lugar recebe ao longo do ano.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 39.

4,35,15,9medidormesmo módulo
Irradiância e irradiação

Irradiância: o sol no instante

  • 1É preciso saber quanta luz chega ao painel.
  • 2Irradiância = a potência da luz por metro quadrado, naquele instante.
  • 3Mede-se em W/m²: quantos watts de sol por m² agora.
  • 4Quanto maior a irradiância, mais energia cada módulo gera naquele momento.
  • 5Irradiância é o sol no instante.

Fonte: MARTINS; PEREIRA, cap. 2, p. 32.

1 m × 1 mirradiânciao sol agora
Irradiância e irradiação

Irradiação: o sol acumulado

  • 1Saber o sol do instante não basta.
  • 2Irradiação = a energia que chegou por metro quadrado ao longo de um período.
  • 3É a irradiância somada no tempo.
  • 4Unidade usual do setor: kWh/m².dia.
  • 5É a irradiação que entra no cálculo. Irradiação é o sol acumulado.

Fonte: MARTINS; PEREIRA, cap. 2, p. 32.

instanteirradiaçãoo sol acumulado
Irradiância e irradiação

Irradiância × irradiação: como não confundir

  • 1Duas palavras parecidas, duas coisas diferentes.
  • 2Irradiância (W/m²) = a potência da luz no instante.
  • 3Irradiação (kWh/m².dia) = a energia acumulada ao longo do dia.
  • 4É a relação potência × energia.
  • 5Dia nublado: irradiância baixa; mês de verão: irradiação alta.

Fonte: texto base, §4.1.

irradiânciairradiaçãoinstante × acumulado
Onde buscar o dado

Onde obter o dado: o SunData

  • 1O dado de irradiação é público e gratuito.
  • 2Informando latitude e longitude, o SunData (CRESESB) devolve tabela e gráfico.
  • 3Devolve a irradiação média diária de cada mês.
  • 4Devolve também a melhor inclinação dos módulos.
  • 5É esse o dado que abre a primeira conta.

▸ SunData (CRESESB) = irradiação do lugar pelas coordenadas.

Irradiação no plano inclinado (SunData/CRESESB)
Como ler a figuraTela “Cálculo no Plano Inclinado”: linhas = inclinações; colunas = 12 meses + Média e Delta. Cada número é a irradiação diária (kWh/m².dia).
As perdas

As perdas que reduzem a geração

  • 1Nem tudo que o sol manda chega à tomada.
  • 2Comprimento dos condutores — a resistência causa queda de tensão.
  • 3Temperatura de operação dos módulos.
  • 4Orientação e inclinação dos módulos.
  • 5As perdas que sobram se compensam com mais módulos.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 39.

caboinclinaçãotemperaturaorientaçãocompensa com módulos
As perdas

A perda média de 20%

  • 1Como estimar as perdas sem software? O livro responde.
  • 2Em residências pequenas, rodar software de simulação não se justifica.
  • 3A experiência permite estimar uma perda média de 20%.
  • 4Esse 20% vira o fator 0,80 na conta.
  • 5Não é norma nem tabela: é estimativa com fonte.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 39.

sol que chegaresta 80%não se medeestimativa com fonte
As perdas

A perda por orientação

  • 1Uma segunda perda, diferente da de 20%.
  • 2Vem de o telhado não apontar para o norte.
  • 3Cada direção tem a sua perda: N 0%; NE/NO 3%; L/O 6%; SE/SO 25%; S 50%.
  • 4As duas perdas são diferentes, aplicadas uma depois da outra.
Rosa dos ventos: perda de geração conforme a direção
Como ler a figuraPerda por direção: N 0%; NE/NO 3%; L/O 6%; SE/SO 25%; S 50%. O fator da conta é 1 − perda (0,97 em NE). O norte rende mais.
O dado por dentro

Como o dado do sol é feito — e por que é uma estimativa

  • 1O número vem de imagens de satélite e de estações de medição.
  • 2O dado é uma estimativa (distribuição, variabilidade e incertezas).
  • 3O medido em superfície é o mais preciso, mas é local.
  • 4O número serve para dimensionar; o contrato fala em geração prevista.

Fonte: MARTINS; PEREIRA, cap. 1, p. 18-19.

estimativa paradimensionar
O Brasil no mapa

O que o Brasil tem de sol

  • 1O Brasil tem dimensões continentais e, segundo o Atlas Brasileiro de Energia Solar, excelentes condições em todo o território.
  • 2O clima local define a melhor tecnologia: a fotovoltaica sofre com a temperatura do ar.
  • 3Não existe região sem sol — existe telhado cuja irradiação não foi medida.

Fonte: MARTINS; PEREIRA, cap. 1, p. 17, citando o Atlas Brasileiro de Energia Solar (INPE).

sol em todo o território
A peça do módulo

O módulo escolhido: a potência máxima

  • 1Falta uma informação para a conta: a potência máxima do módulo.
  • 2No exemplo do livro: um módulo de 400 Wp.
  • 3Essa potência vem da etiqueta (datasheet) do módulo.
  • 4Responde à segunda pergunta: de que tamanho serão os módulos.

▸ Datasheet = a folha de dados (etiqueta) do módulo, com potência e dimensões.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 41.

400 Wpde que tamanho?
A conta em palavras

A geração de um módulo, em palavras

  • 1A conta tem duas etapas: a primeira é quanto um módulo gera por mês.
  • 2Em palavras: potência × dias do mês (30,4 = 365 ÷ 12) × irradiação do lugar, menos as perdas.
  • 3Descontam-se as perdas de geração (20% → 0,80) e as de orientação.
  • 4O resultado é a geração mensal de um módulo, em kWh.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 41.

400 Wp30,45,280,800,97×49,8menos as perdas
A conta em símbolos

A equação da geração mensal

  • 1A conta descrita em palavras, escrita como o livro a registra.
  • 2GP = Pmáx × (1 − PG) × Dm × IRm × (1 − PO)
  • 3GP = geração; Pmáx = potência; PG = perda de geração; Dm = dias; IRm = irradiação; PO = perda por orientação.
  • 4No livro do IFSP, é a equação (9).
Equação 1 — geração mensal de um módulo
Como ler a figuraA equação (9) é um produto: Pmáx × (1−PG) × Dm × IRm × (1−PO). Cada letra corresponde a um cartão da tela anterior.
A conta em palavras

Quantos módulos?, em palavras

  • 1Segunda etapa da conta: quantos módulos.
  • 2Em palavras: consumo médio mensal ÷ geração mensal de um módulo.
  • 3O resultado sempre arredonda para cima.
  • 4Leitura rápida (o exemplo completo vem adiante): 298 ÷ 49,8 = 5,98 → 6 módulos.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 41 e p. 44.

298÷49,85,986consumogeraçãoarredondaarredonda para cima
A conta em símbolos

A equação da quantidade de módulos

  • 1Escrita como o livro registra.
  • 2QM = CM ÷ GP
  • 3QM = quantidade; CM = consumo médio mensal; GP = geração de um módulo.
  • 4Divida o consumo pela geração e arredonde para cima. É a equação (10).
Equação 2 — quantidade de módulos
Como ler a figuraQM = CM ÷ GP, equação (10): o consumo em cima, a geração de um módulo embaixo; o resultado arredonda para cima.
As duas perdas

Duas perdas, não uma

  • 1As duas perdas são diferentes.
  • 2PG = perda do processo de geração (cabeamento, temperatura, sujeira): 20% → 0,80.
  • 3PO = perda por orientação: 3% → 0,97.
  • 4São duas coisas diferentes, aplicadas uma depois da outra.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 7, p. 39-40.

20%3%fluxouma depois da outra
Estimativa, não promessa

De onde vem a perda de 20%

  • 1O 20% não sai de norma nem de tabela: é estimativa com fonte.
  • 2Por isso o contrato fala em geração prevista, com tolerância.
  • 3O cálculo de projeto é uma estimativa bem-feita, não uma promessa.

Fonte: texto base, §5.1.

20% de perdatolerânciado contratoestimativa
O exemplo do Mococa

O exemplo do Mococa: o consumo

  • 1O exemplo completo: outra casa, outra cidade, outra orientação.
  • 2Somando os 12 meses e dividindo por 12, chega-se a 298 kWh.
  • 3O total dos 12 meses é 3.580 kWh.
  • 4O sistema é dimensionado pela média, não pelo pico.
Histórico de consumo do exemplo (Mococa)
Como ler a figuraA tabela lista o consumo de cada mês (kWh) e o total dos 12 meses: 3.580 kWh.
O exemplo do Mococa

As coordenadas do local

  • 1Para saber o sol do lugar, precisa-se das coordenadas da casa.
  • 2Busca-se o endereço no mapa e leem-se latitude e longitude.
  • 3É esse par que se digita no SunData.
Mapa e coordenadas do local de instalação
Como ler a figuraCaptura do Google Maps: o pino marca a casa e o cartão mostra as coordenadas (latitude e longitude) — é o que se digita no SunData.
O exemplo do Mococa

O sol de Mococa: inclinação e irradiação

  • 1Melhor inclinação para Mococa: 21°, com 5,28 kWh/m².dia.
  • 2As águas do telhado apontam para noroeste e nordeste: perda de 3%.
  • 3Com isso, todos os dados da conta estão reunidos.
Irradiação diária e melhor inclinação — Mococa
Como ler a figuraTabela do SunData para Mococa: linhas = inclinações; colunas = os 12 meses. O destaque é o número da conta: 5,28 kWh/m².dia.
O exemplo do Mococa

O cálculo do exemplo, passo a passo

  • 1Consumo 298 kWh; módulo 400 Wp; dias 30,4; irradiação 5,28; perdas 0,80 e 0,97.
  • 2Primeira conta: 400 × 0,80 × 30,4 × 5,28 × 0,97 = 49,8 kWh por mês.
  • 3Segunda conta: 298 ÷ 49,8 = 5,98 → 6 módulos.
O cálculo do exemplo, como está no livro
Como ler a figuraCinco linhas: a fórmula, a substituição numérica, o resultado intermediário, a divisão 298 ÷ 49,8 e o resultado 5,98 ≈ 6 módulos.
Estimativa, não promessa

Atenção à unidade

  • 1O livro escreve o resultado da primeira conta como 49.822 W ou 49,8 kW.
  • 2A unidade está trocada: potência (W) não se acumula num mês.
  • 3O que a conta produz é energia: 49.822 Wh, ou 49,8 kWh por mês.
  • 4O número 30,4 é a média de dias do mês: 365 ÷ 12.

Fonte: texto base, §5.2.

49.822 W49,8 kWh30,4 = 365 ÷ 12a unidade certa é kWh
Cabe no telhado?

A área necessária × a área útil do telhado

  • 1Fechado o número de módulos, falta conferir se eles cabem.
  • 2Área necessária = quantidade de módulos × área de cada módulo.
  • 3A área de cada um sai do datasheet (as dimensões multiplicadas).
  • 4Compara-se com a área útil, por medição direta ou pelo Google Earth.

▸ Área útil = a parte do telhado que pode receber os módulos.

Área útil do telhado × área dos módulos
Como ler a figura(a) datasheet do módulo: as dimensões 2.108 × 1.048 mm dizem quanto ocupa de telhado. (b) a área útil da casa: 28,04 m². Comparar as duas.
Cabe no telhado?

A conta da área, fechada

  • 1Um módulo de 2,108 × 1,048 m ocupa 2,21 m².
  • 2Seis módulos ocupam 6 × 2,21 = 13,26 m².
  • 3O telhado do exemplo tem 28,04 m² de área útil: os seis cabem, com sobra.
  • 4Sempre confira esta conta antes de fechar o orçamento: o sistema pode estar certo no papel e não caber no telhado.

Fonte: texto base, §5.3.

cabe, com sobra
A fixação no telhado

As estruturas de fixação por tipo de telhado

  • 1Os módulos não vão soltos: a estrutura depende do telhado.
  • 2Telhados cerâmicos, de fibrocimento ou metálicos.
  • 3A estrutura de cerâmica serve para os outros tipos, mas não o contrário.
  • 4O número de módulos é fundamental, mas há outros levantamentos.
Tipos de estruturas de fixação e telhados
Como ler a figuraLeia de cima para baixo: tipo da telha (cerâmica, fibrocimento, metálica) × estrutura (madeira, metálica) → o suporte certo.
A fixação no telhado

O posicionamento dos módulos

  • 1Dois cuidados na hora de posicionar: espaçamento e orientação.
  • 2Deixe espaçamento para manutenção: não cubra o telhado inteiro.
  • 3Na vertical, uma estrutura por módulo; na horizontal, duas.
Posicionamento dos módulos no telhado
Como ler a figuraVista de cima de um telhado com módulos: alguns em pé, outros deitados, contornando claraboia e chaminé — todos no mesmo plano e direção.
A porta do inversor

Quantos módulos cabem em cada entrada do inversor

  • 1O inversor tem entradas (MPPT); cada entrada aceita uma faixa de módulos.
  • 2Calcula-se o número máximo e o número mínimo de módulos por entrada.
  • 3No exemplo do livro: Qmáx = 11,3 e Qmin = 1,8.
  • 4Se o número do projeto ficar entre Qmin e Qmáx, a entrada serve.

▸ MPPT = busca o melhor ponto. (Trecho de Aprofundamento — basta saber que essa conferência existe e onde ela é feita.)

Equações 11 e 12 — módulos por entrada do inversor
Como ler a figuraQmáx = MPPT_máx / Voc e Qmin = MPPT_min / Voc: se o projeto ficar entre Qmin e Qmáx, a entrada serve.
A proposta ao cliente

O orçamento do sistema

  • 1Concluído o dimensionamento, monta-se o orçamento.
  • 2Detalha o custo de cada material e as taxas de engenharia.
  • 3Os custos da instalação terceirizada entram no orçamento final.

Fonte: GOUVEIA; HATANAKA; OLETO, cap. 8, p. 57.

módulosinversorcabosproteçõesengenhariainstalação= total
O que o contrato promete

O contrato: geração prevista e tolerância de 10%

  • 1Fechada a venda, firma-se um contrato.
  • 2O contrato apresenta a média da geração anual prevista.
  • 3Tolerância de 10%: acima ou abaixo, o contrato é cumprido.
  • 4É uma segurança para os dois lados.

Fonte: texto base, §6.1.

±10%geração previstaprevista, não garantida
O custo do kWh

Por que o preço sozinho não diz nada

  • 1O preço do sistema, sozinho, não diz nada.
  • 2Um sistema pode ser caro ou barato conforme a energia que produz.
  • 3O que interessa é quanto custa cada kWh que ele produz.
  • 4É isso que se compara com a tarifa da conta de luz.

Fonte: texto base, §6.

sistema Asistema Bo preço sozinho nãodecide
O custo do kWh

O LCOE, em palavras

  • 1Existe um número internacional: o LCOE (Levelized Cost of Energy).
  • 2Em palavras: o custo do sistema ÷ toda a energia da vida útil.
  • 3Leva em conta o valor presente do investimento e da operação e manutenção.
  • 4O LCOE é o custo do seu kWh solar.

▸ LCOE = Levelized Cost of Energy; em português, o custo nivelado da energia.

Fonte: VIAN et al., cap. 4, p. 115-116.

dinheiroenergiacusto do seu kWh solar
O custo do kWh

A fórmula do LCOE e o valor presente

  • 1Escrita como o setor a registra.
  • 2LCOE = (C_n + C_oper + C_an) ÷ E_prod
  • 3C_n = investimento; C_oper = operação; C_an = manutenção (a valor presente); E_prod = energia total.

▸ Valor presente = quanto vale hoje um dinheiro que só entra ou sai no futuro. Aqui a fórmula é registro do setor: não é preciso calculá-la.

Fonte: VIAN et al., cap. 4, p. 115-116.

investimentooperaçãomanutençãoano 0÷ energia da vida útil
O custo do kWh

A comparação que importa

  • 1O custo do seu kWh solar se compara com o R$/kWh da conta.
  • 2O R$/kWh da conta é a soma de TE e TUSD, na coluna da tarifa.
  • 3Se o custo solar for menor, a geração fica abaixo da tarifa naquele momento.

▸ TE = tarifa de energia; TUSD = tarifa de uso do sistema de distribuição; as duas somam o R$/kWh.

Fonte: texto base, §6.2.

custo solartarifa da conta
O custo do kWh

Dado de hoje, com fonte e data

  • 1Tarifa e preço mudam todo ano: use dado de hoje, com fonte e data.
  • 2A tarifa você pega na conta (TE + TUSD); o consumo, dos 12 meses ÷ 12.
  • 3Para panorama de mercado, as fontes vivas são ANEEL, EPE e ABSOLAR.
  • 4O cálculo vale com qualquer tarifa.

Fonte: texto base, §6.2.

tarifa R$/kWhdatapeça de hoje, com a fonte
O que não se promete

O que este módulo não promete

  • 1Resposta honesta à pergunta “quanto eu economizo?”.
  • 2A economia depende da tarifa que você paga e do seu consumo.
  • 3Duas casas com o mesmo sistema podem economizar diferente.
  • 4O material ensina o cálculo, sem prometer um número pronto nem prazo universal.

Fonte: texto base, §6.4.

tarifaconsumoensina a conta, nãopromete o número
A conta do cursista

A conta da sua casa: a folha-modelo

  • 1O módulo termina com uma folha-modelo.
  • 2Você precisa da conta de luz, do endereço e do datasheet.
  • 3Não é para entregar nada: é o roteiro da sua conta.
  • 4Os números de exemplo servem só de modelo.

▸ A folha-modelo segue o exemplo do Mococa (o mesmo das telas 30 a 36): no lugar destes números entram os seus.

Fonte: texto base, §7.

roteiro da sua conta
A conta do cursista

A folha-modelo: os passos 1 a 5

  • 1Passo 1 — Consumo médio: os 12 meses somados ÷ 12.
  • 2Passo 2 — Irradiação do telhado: no SunData, a média e a melhor inclinação.
  • 3Passo 3 — Perda por orientação: o fator da rosa dos ventos.
  • 4Passo 4 — Módulo escolhido: a potência (Wp) e as dimensões (m).
  • 5Passo 5 — Geração de um módulo: potência × dias × irradiação × 0,80 × fator.

Fonte: texto base, §7.

1 consumo médio298 kWh2 irradiação5,283 orientação3%4 módulo400 Wp5 geração49,8
A conta do cursista

A folha-modelo: os passos 6 a 8

  • 1Passo 6 — Quantidade de módulos: consumo ÷ geração, arredondando para cima.
  • 2Passo 7 — Cabe no telhado? área de um módulo × quantidade, contra a área útil.
  • 3Passo 8a — Custo do seu kWh: valor do sistema (orçamento) ÷ energia da vida útil (geração mensal do sistema × meses de vida útil do orçamento).
  • 4Passo 8b — Compare esse custo com o R$/kWh da sua conta (TE + TUSD).

Fonte: texto base, §7.

6 quantidade7 cabe no telhado8 custo do kWhkWh solartarifa
Conferir antes de fechar

Antes de fechar qualquer coisa

  • 1A área: os módulos cabem no telhado?
  • 2O padrão de entrada da casa: precisa de adequação?
  • 3A faixa de módulos que o inversor aceita.
  • 4Tarifa e preço: pegue de hoje, com a fonte e a data.

Fonte: texto base, §7.

área✓padrão de entrada✓faixa do inversor✓
Consulta rápida

Termos e unidades para consulta

  • 1Energia e potência: kWh · kWp · W e kW.
  • 2Sol: irradiância (W/m²) · irradiação (kWh/m².dia).
  • 3Conta e custo: R$/kWh (TE + TUSD) · LCOE.
  • 4Termos do setor: consumo médio · fator de perda (20%) · perda por orientação (3%) · área útil · contrato (tolerância de 10%).

Fonte: texto base, §8.

energia e potênciasolconta e custotermos do setor
O caminho percorrido

Fechamento: o caminho percorrido

  • 1O módulo começou na conta de luz e terminou no custo de cada kWh.
  • 2Ler a conta → consumo médio → sol do lugar → geração e quantidade.
  • 3Conferir área e entradas do inversor → orçamento → custo do kWh × tarifa.
  • 4Cada etapa alimenta a seguinte; cada número tem a sua fonte.

Fonte: organização do curso.

contasolgeracustakWh
A amarração final

A amarração final

  • 1O sistema passa a ter número.
  • 2O que este módulo não promete: um valor de economia nem um prazo prontos.
  • 3O que ele ensina: o cálculo, com dado de hoje, com fonte e data.
  • 4No ambiente do curso, você pratica o cálculo, discute com a turma e revisa o conteúdo.

Fonte: organização do curso.

o sistema agoratem númeropróximo passo
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