e Indicadores de Curva/Inclinação
Prof. Fabriciu Alarcão Veiga Benini
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico
Área Aeronáutica
Engenheiro Eletricista · Mestre em Sistemas Dinâmicos
Doutor em Telecomunicações
INSTITUTO FEDERAL
DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
SÃO PAULO
Campus São Carlos
COLLINSON, R. P. G. Introduction to Avionics Systems. 3. ed. Boston: Springer, 2011.
Cap. 5 (Gyroscopic and Acceleration Instruments) · FAA-H-8083-25C Cap. 8 (Flight Instruments)
1. Fundamentos
2. Momento Angular
3. Giroscópios Ópticos
4. Acelerômetros
5. AHRS
6. Plataforma × Strap-Down
7. Alinhamento
8. Instrumentos de Cabine
Sensores que exploram a inércia como propriedade fundamental
Giroscópios: movimento angular · Acelerômetros: movimento linear
Dispositivos que exploram a resistência à mudança de momento (inércia)
Giroscópios (girômetros) detectam velocidade angular nos 3 eixos (roll, pitch, yaw)
Acelerômetros detectam movimento linear (força específica nos 3 eixos)
Momento angular DTG, Rate Gyro
Ópticos RLG (Ring Laser Gyro), FOG (Fiber Optic Gyro)
Vibratórios MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems)
Qualidade inercial <0,01°/h — INS de aeronave comercial
Tático 1–10°/h — AHRS de aeronave regional
Comercial >10°/h — drones, airbags, smartphones
FBW Fly-By-Wire: comando por fio — sem ligação mecânica entre stick e superfícies
FCS Flight Control System: computador que processa comandos e sensores
Piloto → Stick → FCC → Atuadores → Superfícies
Rate gyros fornecem realimentação de movimento ao FCC
Acelerômetros complementam com acelerações normais e laterais
Sensores FIXADOS diretamente na estrutura da aeronave
Medem no body frame: roll/pitch/yaw rate + acelerações
Função crítica: estabilizar aeronaves com relaxed static stability — taxas de correção de 50+ Hz
Um rotor que gira adquire "rigidez no espaço" — seu eixo RESISTE a mudanças de direção
Tipos: free gyro · rate gyro · rate-integrating gyro · DTG
Eixo de spin mantém direção fixa no espaço inercial se torques resultantes = 0
Análogo a uma bússola que aponta sempre para a mesma estrela fixa
Torque em eixo ortogonal ao spin → rotação em torno de 3º eixo (mutuamente perpendicular)
T⃗ = H⃗ × ω⃗precessão
H⃗ = J · ωspin [kg·m²/s] | ω⃗precessão [rad/s]
Gimbal (cardã): anel articulado que permite rotação livre do rotor
Graus de liberdade: Free gyro = 2 graus; Rate gyro = 1 grau (restrito por mola)
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.1
Decomposição vetorial do momento angular H durante pequeno deslocamento δθ
Diferença vetorial H·δθ está na direção OY — eixo de torque de reação giroscópico
Equação diferencial da precessão:
T = H · dθ/dt
Torque aplicado → taxa de precessão proporcional
Collinson Cap.5Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-19
A precessão resulta de um torque aplicado ao eixo do giroscópio
Três planos ortogonais: Rotação (spin), Força (torque) e Precessão (saída)
O plano de precessão é sempre perpendicular ao plano de torque
Equação fundamental: T⃗ = H⃗ × ω⃗ₚ
FAA PHAK Cap.8Rotor LIVRE, 2+ graus de liberdade
Eixo mantém direção fixa → referência espacial
Attitude Indicator, Heading Indicator
Rotor RESTRITO por mola, 1 grau de liberdade
Corrente do torque motor ∝ velocidade angular
Turn Coordinator
Saída é o ÂNGULO total (∫ taxa dt)
RLG e FOG são integrating por natureza
Contagem de pulsos digitais
Rate gyro — Funcionamento: carcaça gira com aeronave → rotor resiste por rigidez → torque no eixo de saída (precessão) → mola restringe → deflexão ∝ taxa angular
Torque balance: motor elétrico mantém rotor no null — corrente ∝ taxa angular
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.3
O plano do rotor permanece FIXO no espaço enquanto a caixa (carcaça) gira
Demonstra visualmente o princípio da rigidez no espaço
A orientação do rotor NÃO se altera com o movimento da base
Mesmo princípio do Attitude Indicator: barra do horizonte fixa ao rotor, aeronave gira ao redor
Collinson Cap.5H = J · ω
J = momento de inércia do rotor · ω = velocidade angular de spin
Quanto maior H → maior resistência a mudanças de direção
Rotor PARADO: erro ∝ t² → 23° em 20s
Rotor GIRANDO (24.000 rpm): erro ∝ t → apenas 0,17° em 1 hora!
>100× de melhoria!
DTG = Dynamically Tuned Gyro — usa fenômeno dinâmico para eliminar atrito nos gimbals
Junta flexível tipo Hooke (cardã) como gimbal de 2 eixos sem atrito
Sintonia dinâmica: na velocidade de projeto (~300 rev/s = 18.000 rpm), a rigidez negativa das flexuras é EXATAMENTE cancelada pela rigidez positiva das inércias do gimbal
Resultado: torque resultante NULO → rotor se comporta como free gyro ideal, sem mancais, sem atrito, sem fluido ("dry gyro")
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.2
Rotor (roda de momento angular) + junta flexível tipo Hooke (cardã)
Pivôs flexurais de 2 eixos substituem mancais tradicionais — zero atrito
Flexuras introduzem rigidez torcional (K) que deve ser cancelada
Sintonia dinâmica: rigidez negativa das flexuras = rigidez positiva das inércias do gimbal em ~300 rev/s
Collinson Cap.5Detecta deslocamento do rotor da posição central
Indutivo: variação de indutância
Capacitivo: variação de capacitância
Pick-off → Amplificador → Torque Motor → (realimentação)
Rotor mantido no null (posição central)
Corrente necessária ∝ taxa angular de entrada
Pulsos calibrados de amplitude/duração fixos — cada pulso = incremento angular FIXO (1-10 arcsec)
Vantagem: interface digital direta — processador conta pulsos, elimina erros de linearidade do conversor A/D
Fonte: Collinson, Fig. 5.5
Pick-off → Amplificador → Torque Motor → Rotor
Corrente do torque motor ∝ taxa angular de entrada
Fonte: Collinson, Fig. 5.6
Relógio HF + saída pulsos Δθₓ / Δθᵧ
Malha fechada mantém rotor no null
Malha fechada (closed loop) pick-off detecta desvio → amplificador → torque motor realimenta → rotor retorna ao null
INS strap-down, AHRS helicópteros, mísseis, FBW com redundância de 2 eixos
Liberdade angular limitada a ±0,5° — suficiente pois torque balance mantém rotor no null
Bandwidth 50–75 Hz
Torque em eixo X → precessão → perturbação no eixo Y
Solução: realimentação cruzada
Do mecânico ao óptico: revolução sem partes móveis
Efeito Sagnac: a luz, em caminho fechado, "sente" a rotação
✕ Partes móveis com desgaste
✕ MTBF ~5.000–10.000h
✕ Tempo de inicialização: minutos
✕ Sensíveis à aceleração (erros de bias)
✕ Custo de manutenção elevado
✓ ZERO partes móveis com desgaste
✓ MTBF >60.000 horas (~7 anos contínuos!)
✓ Operação plena instantânea
✓ Insensibilidade à aceleração (RLG)
✓ Custo de propriedade drasticamente reduzido
Faixa dinâmica ~10⁸:1 — mesmo sensor mede de 0,01°/h até 400°/s!
Intuição: dois feixes partem do mesmo ponto em sentidos opostos num caminho circular. Se o círculo gira, um percorre caminho MAIOR, outro MENOR
ΔT = 4AΩ / c²
A = área do caminho óptico · Ω = taxa de rotação · c = velocidade da luz
RLG: mede Δf (diferença de frequência) — Δf = K₀·Ω
FOG: mede Φₛ (deslocamento de fase Sagnac) — Φₛ = (2πLD/λc)·Ω
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.8
Dois fótons partem do ponto P: um CW, outro CCW
Sistema gira à taxa Ω → P se desloca para P' durante o trânsito
CW = 2πR + RΩT CCW = 2πR − RΩT
ΔL = 4AΩ / c
Intuição: um percorre MAIOR, outro MENOR
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.7(a)
Fonte de luz → divisor de feixe → caminho fechado → detector de franjas
Ondas horária (CW) e anti-horária (CCW) interferem → padrão de franjas
Rotação → deslocamento das franjas ∝ taxa de rotação
Michelson-Gale (1925): cavidade 600m × 300m mediu rotação da Terra — apenas ¼ de franja!
Collinson Cap.5CERVIT = vitrocerâmica de baixíssima expansão térmica com canais triangulares e gás He-Ne
Fotodiodos em quadratura (90°): dois detectores defasados ¼ de franja → detectam SENTIDO da rotação
Cada pulso ≈ 3,4 segundos de arco — RLG é integrating rate gyro natural
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.10
Cavidade
Bloco sólido de CERVIT (vitrocerâmica de baixíssima expansão térmica)
Espelhos
3 espelhos montados por contato óptico — refletividade > 99,9%
Eletrodos
2 ânodos + cátodo comum (~2.000 V CC) — ionizam mistura He-Ne
Transdutor piezoelétrico ajusta comprimento da cavidade para manter potência laser no pico
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.9
Duas ondas contra-propagantes criam padrão de onda estacionária espacialmente fixo
RLG comporta-se como encoder óptico incremental
Fotodetector \"vê\" franjas passarem à medida que a cavidade gira
Energia eletromagnética tem inércia → onda estacionária \"resiste\" a girar
RLG é naturalmente um integrating rate gyro
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.7(b)
Cavidade triangular com espelhos nos vértices
Descarga de gás He-Ne ionizada → ação laser dentro da cavidade
Dois feixes (CW e CCW) gerados pela mistura gasosa
Δf medida por fotodiodos — saída digital pulsada
Cada pulso ≈ 3,4 segundos de arco de rotação
Collinson Cap.5Retroespalhamento nos espelhos acopla os feixes em baixas rotações
Δf = 0 mesmo com rotação real — saída = 0
Lock-in rate: 0,01 a 0,1 °/s
Bloco vibrado a ~100 Hz com velocidade de pico ~1000 °/s
Passa pela zona de lock-in tão RÁPIDO que o acoplamento não se estabelece
Remoção: filtro notch em 100 Hz ou subtração eletrônica
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.11
Zona morta entre −Ωₗ e +Ωₗ onde Δf = 0
Saída ZERO mesmo com rotação real
Zona morta ELIMINADA
Bloco vibrado a ~100 Hz, velocidade de pico ~1000°/s
Tempo de permanência no lock-in é ínfimo
Zero falhas no sistema de dither em >100 milhões de horas de operação
| Atributo | RLG | DTG | Rate Gyro |
|---|---|---|---|
| Partes móveis | Nenhuma | Rotor + junta | Rotor + mola |
| MTBF | >60.000h | ~20.000h | ~5.000h |
| Precisão (bias) | <0,005 °/h | ~0,01 °/h | ~1 °/h |
| Sensível a g | Não | Sim | Sim |
| Faixa dinâmica | ~10⁸:1 | ~10⁵:1 | ~10³:1 |
| Custo | Alto | Médio | Baixo |
RLG: menor sensibilidade térmica (CERVIT), melhor para INS de alta precisão
FOG: menor custo, mais compacto, sem dithering. Sofre Efeito Shupe (gradientes térmicos) e Efeito Faraday (magneto-óptico)
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.12 (Cortesia GEC-Marconi Avionics)
Três RLGs montados ortogonalmente → roll, pitch e yaw rates
Único giroscópio strap-down que atende INS puro
Faixa dinâmica: 10⁸:1 (0,01°/h a 400°/s)
MTBF > 60.000 horas (~7 anos contínuos)
Collinson Cap.5Bobina de fibra óptica multi-espiras (L = centenas de metros)
Φₛ = (2πLDΩ) / (λc)
Quanto maior L e D, maior sensibilidade
Modulação de fase π/2: desloca ponto de operação para máxima sensibilidade — sem modulação, FOG é "cego" para pequenas rotações
Fonte: Collinson, Fig. 5.7(c)
Fonte laser → divisores → bobina de fibra → detector
Mudança de fase Sagnac medida no detector
Fonte: Collinson, Fig. 5.13
Sem modulação: sensibilidade mínima (região de cosseno ≈ 0)
Modulação π/2 → máxima sensibilidade
Frequência típica: ~500 kHz (bobina 200m)
Bobina → Detector → Demodulador → Servo → Transdutor de Fase → (realimentação)
Transdutor gera ΔΦ = −Φₛ → fase líquida = ZERO → saída ∝ Ω
Imune a variações de intensidade do laser
Efeito Faraday: campo magnético → rotação de polarização não recíproca
Efeito Shupe: gradiente térmico → mudança no índice de refração
Vibração mecânica e ruído acústico
Variação do comprimento de onda da fonte
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.15 (Smiths Industries AHRS)
Três FOGs compartilham a mesma fonte laser
Bias error: 1°/hora
Scale factor: 60 ppm
Random walk: 0,04°/√h
Peso: 420g
Volume: 245 cm³
Potência: 7,5 W
Primeiro grande pedido de produção FOG AHRS em 1991
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.14
Saída do demodulador → servo amplificador → transdutor de fase não recíproco
Sistema opera sempre em nulo: fase gerada = −Φₛ
Saída independente da intensidade da fonte
Linearidade e estabilidade dependem apenas do transdutor de fase
Medem força específica, não aceleração absoluta
Tipos: pendular simples · torque balance (force-feedback) · MEMS
f⃗ = a⃗ − g⃗ (força específica = aceleração inercial − gravidade)
Voo reto nivelado: f⃗ ≈ −g⃗ → mede ~1g para cima
Queda livre: f⃗ = g⃗ − g⃗ = 0 → mede ZERO
Acelerômetro NÃO distingue gravidade de inércia
Mede TUDO MENOS gravidade (forças de contato)
Força específica = (T⃗ + L⃗ + D⃗) / m
Massa desbalanceada + mola de restrição
Pick-off mede deflexão angular
Deflexão ≈ linear para pequenos ângulos (sen θ ≈ θ)
Pick-off → amplificador → torque motor eletromagnético
Pêndulo mantido no NULL → corrente ∝ aceleração
Vantagem: elimina cross-coupling
Pulse torque no acelerômetro: cada pulso = incremento de velocidade (Δv) — o acelerômetro funciona como INTEGRADOR
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.19
Componentes: dobradiça de mola (Kₛ) → ganho de fase → avanço → motor de torque → indutância
Ganho do loop deve ser alto para manter pequenas excursões do pêndulo sob vibração
Sem alto ganho → erros de retificação por vibração podem introduzir deslocamento DC significativo
Erro análogo a um diodo que retifica CA em CC
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.17
Bobina móvel + ímã permanente (similar a driver de alto-falante)
Malha fechada mantém pêndulo no null → corrente ∝ aceleração
Óleo viscoso: amortecimento + flutuação parcial (robustez a choque/vibração)
Pulse torque: cada pulso = incremento de velocidade (Δv) — funciona como integrador
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.16
Massa pendular + dobradiça de mola + pick-off elétrico + óleo de amortecimento
Deflexão angular máxima limitada a ~±2° (sen 2° ≈ 3,3% erro)
Função de transferência: filtro passa-baixa quadrático de 2ª ordem
Aplicações de baixa precisão: 1–2% de erro
Collinson Cap.5Pentes interdigitados: fixo × móvel (suspenso por molas)
Aceleração → deslocamento → variação de capacitância
Vantagens: tamanho mm, baixíssimo custo, produção em massa
Não-linearidade + vibração senoidal → deslocamento LÍQUIDO (média ≠ zero)
Análogo a um diodo que "retifica" CA em CC
Solução: alto ganho mantém pêndulo no null (regime linear)
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.18
Pêndulo + dobradiça de mola gravados em substrato de silício (fabricação de semicondutores)
Pick-off capacitivo detecta deflexão; forças eletrostáticas restauram o null
Tamanho muito pequeno, baixíssimo custo de produção em massa
Aplicações: drones, smartphones, airbags — menor precisão, mas revolucionário
Collinson Cap.5AHRS = Attitude and Heading Reference System — o "cérebro" que calcula para onde o avião aponta
Integração de giroscópios + acelerômetros + magnetômetros
3 giroscópios + 3 acelerômetros + 3 magnetômetros (fluxgates)
Fluxgate: magnetômetro com núcleo de material magnético excitado por corrente alternada
Destino: HUD, EFIS, piloto automático, navegação
Giroscópios: estabilidade curto prazo, resposta dinâmica rápida
Acelerômetros: correção de tilt (longo prazo, ~100–200s)
Magnetômetros: correção de heading (longo prazo)
Filtro de Kalman ou filtro complementar (passa-alta + passa-baixa)
AHRS ≠ INS: AHRS fornece atitude + proa. INS = AHRS + dupla integração das acelerações → posição + velocidade
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-26
Magnetômetro (fluxgate) + giroscópios + acelerômetros → atitude ao PFD e heading ao display
Substituiu giroscópios de rotação livre por sistemas de estado sólido
Pitch e bank → indicador de atitude eletrônico
Heading derivado do magnetômetro que detecta linhas de fluxo magnético da Terra
FAA PHAK Cap.8Ordem aeronáutica: 1º yaw (Z) → 2º pitch (Y) → 3º roll (X)
NÃO comutativa: roll 90° + pitch 90° ≠ pitch 90° + roll 90°
Singularidade (gimbal lock): θ = ±90° → tan θ → ∞ → perde 1 grau de liberdade
Número hipercomplexo com 4 componentes
e₀ = cos(α/2) · e₁,e₂,e₃ = eixo × sen(α/2)
Sem singularidades · valores em [−1,1] · multiplicação eficiente (16×, 12+)
Atualização: recebe p,q,r dos giros → matriz anti-simétrica × ½Δt → norma unitária reaplicada a cada iteração
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.32
Decomposição da velocidade verdadeira VT nos eixos do corpo a partir do ângulo de ataque (α) e derrapagem (β)
U = VT · cos α · cos β
V = VT · sen β
W = VT · sen α · cos β
Essencial para loops de mistura de dados de ar/velocidade inercial no monitoramento vertical do AHRS
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.23
Entradas: ΔP (roll), ΔQ (pitch), ΔR (yaw) — incrementos angulares dos giros integradores
Integração dos parâmetros de Euler → conversão para ângulos (ϕ, θ, ψ)
Exemplo numérico:
p=1 rad/s, q=0,04 rad/s, r=0,05 rad/s, Δt=0,01s
→ roll=36,87°, pitch≈0°, heading=36,92°
Sensores isolados por gimbals
Ângulos lidos diretamente dos pick-offs
Sensores fixos ao corpo
Gimbals "matemáticos" no computador
Sensores montados em plataforma isolada por anéis de gimbal (cardãs)
3 gimbals: azimute (ilimitado) · roll interno (±20°) · pitch (ilimitado)
4º gimbal (outer roll): evita gimbal lock quando pitch ≈ 90°
Vantagem: ângulos de Euler lidos DIRETAMENTE — sem processamento computacional
Fonte: Collinson, Fig. 5.20
4 gimbals: azimute (ilimitado), roll interno (±20°), pitch (ilimitado), roll externo (ilimitado)
Fonte: Collinson, Fig. 5.21
4º gimbal (outer roll) evita gimbal lock durante manobras verticais (loops)
2 giroscópios de 2 eixos (DTGs) estabilizam a plataforma
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.4
Giroscópios detectam movimento angular da fuselagem → comandam torques para manter plataforma orientada no espaço
Plataforma \"flutua\" dentro dos gimbals, isolada do movimento da aeronave
Pick-offs de ângulo controlam servos dos gimbals → ângulos ≈ zero
Pode ser alinhada com eixos da Terra (N-S, L-O, Vertical local)
Collinson Cap.5Complexidade mecânica: gimbals, mancais, slip-rings, servomotores, synchros
Peso elevado, volume grande, alto consumo de energia
Custo de aquisição e manutenção elevados
Desgaste mecânico progressivo
Mas... o avanço dos computadores digitais viabilizou a alternativa strap-down →
Sensores RIGIDAMENTE fixados à estrutura da aeronave
Medem no body frame: p, q, r (taxas angulares) + acelerações
DCM (Direction Cosine Matrix): matriz 3×3 que transforma body → nav frame
✓ Elimina gimbals, mancais, slip-rings
✓ Maior confiabilidade (MTBF)
✓ Menor peso e custo
✓ Domina hoje: giroscópios ópticos + computadores digitais
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.22
Giroscópios medem taxas angulares do corpo (p, q, r) → computador de bordo
Computador calcula atitude (roll, pitch, heading), velocidade e posição
Elimina completamente: gimbals, rolamentos, slip-rings, servomotores, synchros
Confiabilidade e custo de propriedade muito superiores
Collinson Cap.5Erro de comutação: rotações 3D NÃO comutam → ordem arbitrária na integração introduz erro
Coning motion: oscilações senoidais em 2 eixos ortogonais → eixo Z descreve CONE → surge termo DC não-zero
Vehicle rates: V_N/R, V_E/R, (V_E/R)tan λ — taxas induzidas pela curvatura/rotação da Terra
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.24
Oscilações senoidais mesma frequência em 2 eixos ortogonais com 90° de fase → eixo Z descreve cone
q = A·ω·cos(ωt), r = 0,1·A·ω·sen(ωt) → taxa de roll rectificada = A²ω/2
Causa drift de retificação no strap-down (rotações não comutam)
Exemplo: amplitude 10° a 1 Hz, erro scale factor 0,01% → ~0,02°/h de drift
Como o sistema sabe onde está o Norte e a Vertical?
Gravidade (g⃗) → vertical → roll/pitch
Rotação da Terra (Ω⃗) → Norte verdadeiro → heading de precisão (INS)
Campo magnético (B⃗) → Norte magnético → heading aproximado (AHRS)
Ω⃗ aponta para o Norte geográfico
Componente horizontal (Norte) = Ωcos λ
Componente vertical = Ωsen λ
Componente Leste-Oeste = ZERO
Eixo de entrada no plano horizontal
Varredura de 360° → taxa medida varia SENOIDALMENTE
MÁXIMO da senoide → eixo aponta Norte-Sul
Requisito: bias < 0,01°/h
AHRS típicos (0,3–5°/h) NÃO conseguem gyrocompassing. Usam magnetômetros para heading inicial.
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.25
Decomposição do vetor de rotação da Terra (Ω) em Norte (Ω·cos λ) e Vertical (Ω·sen λ)
Componente Leste-Oeste = ZERO — base do gyrocompassing
Exemplo: São Carlos (~22°S)
Ω·cos λ ≈ 13,9°/h | Ω·sen λ ≈ 5,6°/h
Importante para correções de taxa do giroscópio vertical
Collinson Cap.5Acelerômetros = "prumo eletrônico"
Tilt → componente de g nos acelerômetros horizontais → sinal de erro → torque motors corrigem
Constante de tempo: T ≈ 100–200 segundos (lento para ignorar manobras)
Sistema inercial calibrado como "pêndulo de Schuler" de comprimento R (raio da Terra)
T = 2π√(R/g) ≈ 84,4 minutos
Acelerações horizontais NÃO causam erro permanente!
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.33
Componentes da gravidade nos eixos do corpo:
gx = −g · sen θ
gy = g · cos θ · sen ϕ
gz = g · cos θ · cos ϕ
Essencial para separar contribuição gravitacional da aceleração real do veículo
Correção fundamental no processamento dos acelerômetros do AHRS
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.27
Acelerômetros medem erro de tilt → realimentam para precessionar giroscópio vertical de volta ao null
Diagrama: acelerômetro → amplificador → torque motor do giro → plataforma
Constante de tempo T = 1/Kg ≈ 100–200 segundos
Cut-out: desliga monitoramento quando aceleração > 0,1g
Erro estacionário: θ_ss = W·T (drift × constante de tempo)
Collinson Cap.5Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.26
Aeronave voa sobre superfície esférica → vertical local gira no espaço
Três correções: V_N/R (eixo Leste), V_E/R (eixo Norte), (V_E/R)·tan λ (eixo vertical)
Exemplo: 600 nós, proa 030° → componente Norte = 519,6 nós → taxa ≈ 8,66°/h
tan λ → ∞ nos polos (>75°) → usa-se azimute livre
Collinson Cap.5Giro (passa-alta): resposta dinâmica excelente, bloqueia drift DC
Magnetômetro (passa-baixa): referência longo prazo, suaviza ruídos
Frequência de corte típica: 0,01–0,05 Hz (τ = 20–100s)
dip = ângulo do campo magnético com a horizontal
Tilt da aeronave → erro de heading AMPLIFICADO por tan(dip)
Perto dos polos: tan(dip) → ∞ → AHRS depende exclusivamente dos giros
Fonte: Collinson, Fig. 5.35
Componentes Hx, Hy, Hz com ângulo de dip magnético
Fonte: Collinson, Fig. 5.36
Detector fluxgate 3 eixos + coeficientes de correção + mistura giro/magnética
Fluxgate excitado por corrente senoidal de áudio que satura os núcleos — 2ª harmônica captada no secundário ∝ campo externo
Em altas latitudes: ângulo de dip ≈ 90° → componente horizontal ≈ 0 → referência magnética inutilizável
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.31(a) e (b)
Passa-alta (giro): boa resposta dinâmica, bloqueia drift DC
Passa-baixa (magnetômetro): boa precisão DC, filtra ruído
Saída combinada = entrada sem atraso + baixo ruído
Frequência de corte: 0,003–0,05 Hz (τ = 20–300s)
Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.29
Mistura de dados de velocidade (Doppler ou air data) com velocidade inercial
Comparação entre velocidades inerciais e medidas externamente → realimenta correção dos erros de tilt
Giroscópios 1–5°/h + air data → precisão vertical ~0,2°
Giroscópios 1–3°/h + Doppler → precisão vertical ~1–2 min de arco
FAA PHAK Cap. 8: os 4 instrumentos giroscópicos do painel
Attitude Indicator
Heading Indicator
Turn Coordinator
Turn-and-Slip
Free gyro com eixo de spin VERTICAL — rotor no plano horizontal (~20.000 rpm)
Sistema de correção vertical: corrige drift por atrito nos mancais
Pendulous vanes: palhetas pendulares acionadas pelo fluxo de ar — correção PASSIVA, sem eletrônica
Limitação: erro em curvas prolongadas — força centrífuga + gravidade = "vertical aparente" errada
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-24
Escala de bank move-se na mesma direção da inclinação (na maioria dos modelos)
Usar relação avião miniatura × barra do horizonte → DIREÇÃO do bank; escala → GRAU do bank
Limites: pitch 100°–110°, roll 60°–70° — acima disso o instrumento pode tumbar
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-23
Giroscópio horizontal + gimbal de roll + gimbal de pitch + braço de referência + índice de bank
Rotor gira no plano horizontal (~20.000 rpm) — barra do horizonte fixa ao giroscópio
Aeronave real gira AO REDOR do giroscópio → miniatura no painel mostra atitude
Pendulous vanes: palhetas pendulares — correção passiva do drift
FAA PHAK Cap.8Free gyro com eixo de spin HORIZONTAL (rotor no plano vertical)
Mostrador (rosa dos ventos) fixo ao ROTOR — carcaça fixa ao painel
Fornece referência direcional estável — não sofre erros de dip nem "norteadas"
Drift: ~3–15°/h (atrito) + ~15°/h (rotação da Terra)
Realinhamento periódico com bússola magnética (a cada 15 min)
Versão "slaved": fluxgate corrige continuamente — giro é "escravo" do magnetômetro
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-29
HSI: integra rumo do giroscópio + dados VOR/ILS — desvio lateral, TO/FROM, curso selecionado
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-30
RMI: acionado por fluxgate — ponteiro verde (ADF), ponteiro duplo (VOR)
Transmissor magnético escravo (fluxgate) montado na ponta da asa para evitar interferência
Slave meter: indica diferença entre rumo exibido e rumo magnético real
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-25
Free gyro com eixo de spin horizontal — rotor no plano vertical
Rosa dos ventos fixa ao rotor → mantém orientação fixa no espaço
Aeronave gira ao redor do giroscópio → cartão indica o rumo
Drift: ~3–15°/h (atrito) + ~15°/h (rotação da Terra) → realinhamento a cada 15 min
Versão slaved: fluxgate corrige continuamente (HSI)
FAA PHAK Cap.8Turn-and-Slip: rate gyro com eixo horizontal (paralelo às asas) — detecta APENAS yaw rate
Turn Coordinator: gimbal inclinado ~30° → sensível a roll + yaw → detecta ENTRADA na curva ANTES da guinada
Inclinômetro (bolinha): indica coordenação — resultante de gravidade + força centrífuga
Curva padrão: 3°/segundo = 360° em 2 minutos
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-22
Bola centrada
Taxa de giro = adequada para o bank
Bola para DENTRO
Diminuir bank e/ou aumentar taxa
Bola para FORA
Aumentar bank e/ou diminuir taxa
Regra prática: \"Pise na bola\" (step on the ball) — aplique leme no lado para onde a bola se deslocou
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-21
Giroscópio montado no plano vertical (eixo longitudinal)
Detecta APENAS yaw rate
Gimbal inclinado ~30° (giroscópio inclinado)
Detecta roll + yaw → responde ANTES da guinada
Ambos possuem inclinômetro (bolinha) para coordenação
Marcas: 1ª = asas niveladas, 2ª = taxa padrão (3°/s)
Bomba mecânica aspira ar → rotor gira como turbina (10.000–24.000 rpm)
Pressão: 4–5 "Hg de sucção
Alimenta: Attitude Indicator + Heading Indicator
Motor de indução/síncrono
Alimenta: Turn Coordinator
Redundância: se motor falhar → vácuo some, mas Turn Coordinator elétrico continua na bateria
Drift (deriva): sinal de saída com entrada ZERO (°/h) — ex: 0,01°/h → 0,1° após 10h de voo
Scale Factor: desvio na relação entrada/saída (ppm) — ex: erro de 100 ppm
Especificação típica INS: bias <0,01°/h, scale factor <10 ppm → erro < 1 NM/h
Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-31
AOA é o melhor parâmetro para evitar estol — aeronave sempre estola no mesmo AOA crítico
Independente de peso, bank, temperatura ou CG
AOA é \"invisível\" sem indicador específico
Indicadores modernos: representação visual do estado de energia e proximidade do estol
FAA PHAK Cap.8Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-20
Bomba de vácuo tipo palhetas (acionada pelo motor) → filtro → instruments → alívio → medidor → ventilação
Pressão típica: 4,5–5,5 \"Hg de sucção
Attitude Indicator + Heading Indicator alimentados por vácuo
Pressão baixa → instrumentos instáveis — verificar cruzadamente em voo
FAA PHAK Cap.8Fundamentos → Momento Angular → Ópticos → Acelerômetros → AHRS → Plataforma/Strap-Down → Alinhamento → Instrumentos de Cabine
T⃗ = H⃗ × ω⃗p
ΔL = 4AΩ / c
Φₛ = 2πLDΩ / λc
TSchuler = 84,4 min
Bias = sinal com entrada zero · Drift = variação do bias · Pick-off = sensor de deslocamento · Torque balance = malha mantendo null · MTBF = Mean Time Between Failures · DCM = Direction Cosine Matrix
Dúvidas? Procurem o professor!
Collinson (2011) Cap. 5 · FAA PHAK (2025) Cap. 8