Instrumentos
Giroscópicos

e Indicadores de Curva/Inclinação

IFSP

Prof. Fabriciu Alarcão Veiga Benini

Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico

Área Aeronáutica

Engenheiro Eletricista · Mestre em Sistemas Dinâmicos

Doutor em Telecomunicações


INSTITUTO FEDERAL

DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA

SÃO PAULO

Campus São Carlos

COLLINSON, R. P. G. Introduction to Avionics Systems. 3. ed. Boston: Springer, 2011.

Cap. 5 (Gyroscopic and Acceleration Instruments) · FAA-H-8083-25C Cap. 8 (Flight Instruments)

1 / 84

Agenda da Aula

1. Fundamentos

2. Momento Angular

3. Giroscópios Ópticos

4. Acelerômetros

5. AHRS

6. Plataforma × Strap-Down

7. Instrumentos de Cabine

8. Alinhamento

GLOSSÁRIO RÁPIDO: AHRS = Attitude and Heading Reference System · INS = Inertial Navigation System · Plataforma × Strap-down = 2 arquiteturas de montagem dos sensores inerciais: plataforma estabilizada isola os sensores em gimbals (cardãs), lendo os ângulos de Euler diretamente · strap-down fixa os sensores rigidamente à estrutura da aeronave e calcula a atitude por computação (matriz DCM) · Bias/Drift = definidos ao longo da aula
2 / 84

Parte 1 — Fundamentos dos Sensores Inerciais

Sensores que exploram a inércia como propriedade fundamental

Giroscópios: movimento angular · Acelerômetros: movimento linear

3 / 84

Sensores Inerciais: Definição e Classificação

Definição

Dispositivos que exploram a resistência à mudança de momento (inércia)

Giroscópios (girômetros) detectam velocidade angular nos 3 eixos (roll, pitch, yaw)

Acelerômetros detectam movimento linear (força específica nos 3 eixos)

Classificação por Princípio

Momento angular DTG, Rate Gyro

Ópticos RLG (Ring Laser Gyro), FOG (Fiber Optic Gyro)

Vibratórios MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems)

Classificação por Aplicação

Qualidade inercial <0,01°/h — INS de aeronave comercial

Tático 1–10°/h — AHRS de aeronave regional

Comercial >10°/h — drones, airbags, smartphones

GLOSSÁRIO RÁPIDO: Roll · Pitch · Yaw = eixos de rotação da aeronave: roll (rolagem) gira em torno do eixo longitudinal (asas) · pitch (arfagem) gira no eixo lateral (nariz sobe/desce) · yaw (guinada) gira no eixo vertical (nariz vira) · °/h (graus por hora) = unidade da deriva (bias/drift) do giroscópio — quanto a referência "erra" por hora; menor valor = maior qualidade (qualidade inercial <0,01°/h · comercial >10°/h) · DTG × Rate Gyro = DTG (Dynamically Tuned Gyro) usa sintonia dinâmica (~18.000 rpm) para anular atrito e se comportar como free gyro ideal de 2 eixos — alta precisão (INS/AHRS) · Rate Gyro tem rotor restrito por mola (1 eixo) e a deflexão é proporcional à taxa angular — usado no Turn Coordinator
4 / 84

Sensores Inerciais em Aeronaves Fly-by-Wire

FBW Fly-By-Wire: comando por fio — sem ligação mecânica entre stick e superfícies

FCS Flight Control System: computador que processa comandos e sensores

Fluxo de Controle

Piloto → Stick → FCC → Atuadores → Superfícies

Rate gyros fornecem realimentação de movimento ao FCC

Acelerômetros complementam com acelerações normais e laterais

Strap-down INS/AHRS

Sensores FIXADOS diretamente na estrutura da aeronave

Medem no body frame: roll/pitch/yaw rate + acelerações

Função crítica: estabilizar aeronaves com relaxed static stability — taxas de correção de 50+ Hz

GLOSSÁRIO RÁPIDO: FCC (Flight Control Computer) = computador de controle de voo — o "cérebro" do fly-by-wire: processa os comandos do piloto (stick) junto com os sinais dos sensores inerciais (rate gyros, acelerômetros) e calcula os comandos para os atuadores das superfícies · Relaxed static stability = projeto aerodinâmico em que a aeronave é intencionalmente pouco estável (ou instável) estaticamente, com o centro de gravidade próximo ou atrás do centro aerodinâmico — o FCC + sensores inerciais corrigem a atitude continuamente (50+ Hz), trazendo vantagens como menor arrasto e melhor manobrabilidade
5 / 84

Parte 2 — Giroscópios de Momento Angular

Um rotor que gira adquire "rigidez no espaço" — seu eixo RESISTE a mudanças de direção

Tipos: free gyro · rate gyro · rate-integrating gyro · DTG

GLOSSÁRIO RÁPIDO — H = J·ω: H = momento angular [kg·m²/s] — grandeza que mede a "quantidade de rotação" do rotor; é o que dá ao giroscópio sua rigidez no espaço · J = momento de inércia do rotor [kg·m²] — medida da resistência do corpo à mudança de rotação; depende da massa e de como ela está distribuída em relação ao eixo · ω = velocidade angular de spin [rad/s] — rapidez com que o rotor gira em torno do seu eixo
6 / 84

Rigidez no Espaço e Precessão

Rigidez no Espaço

Eixo de spin mantém direção fixa no espaço inercial se torques resultantes = 0

Análogo a uma bússola que aponta sempre para a mesma estrela fixa

Precessão

Torque em eixo ortogonal ao spin → rotação em torno de 3º eixo (mutuamente perpendicular)

T⃗ = H⃗ × ω⃗precessão

H⃗ = J · ωspin [kg·m²/s] | ω⃗precessão [rad/s]

Gimbal (cardã): anel articulado que permite rotação livre do rotor

Graus de liberdade: Free gyro = 2 graus; Rate gyro = 1 grau (restrito por mola)

7 / 84

Derivação da Precessão

Decomposição vetorial do momento angular H

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.1

Decomposição vetorial do momento angular H durante pequeno deslocamento δθ

Diferença vetorial H·δθ está na direção OY — eixo de torque de reação giroscópico

Equação diferencial da precessão:

T = H · dθ/dt

Torque aplicado → taxa de precessão proporcional

SENTIDO MATEMÁTICO: T (torque) é diretamente proporcional a dθ/dt (taxa de precessão): quanto maior o dθ/dt, maior o torque T necessário para produzir essa precessão — e vice-versa, quanto menor o dθ/dt, menor o torque. O H (momento angular) é a constante de proporcionalidade: quanto maior o H do rotor, maior o torque necessário para uma mesma taxa de precessão (por isso um rotor rápido/robusto "resiste" mais a mudanças de direção).
Collinson Cap.5
8 / 84

Precessão Giroscópica

Precessão Giroscópica - Três Planos

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-19

A precessão resulta de um torque aplicado ao eixo do giroscópio

Três planos ortogonais: Rotação (spin), Força (torque) e Precessão (saída)

O plano de precessão é sempre perpendicular ao plano de torque

Equação fundamental: T⃗ = H⃗ × ω⃗ₚ

FAA PHAK Cap.8
9 / 84

Free Gyro, Rate Gyro e Integrating Gyro

Free Gyro

Rotor LIVRE, 2+ graus de liberdade

Eixo mantém direção fixa → referência espacial

Attitude Indicator, Heading Indicator

Rate Gyro

Rotor RESTRITO por mola, 1 grau de liberdade

Corrente do torque motor ∝ velocidade angular

Turn Coordinator

Integrating Gyro

Saída é o ÂNGULO total (∫ taxa dt)

RLG e FOG são integrating por natureza

Contagem de pulsos digitais

Rate gyro — Funcionamento: carcaça gira com aeronave → rotor resiste por rigidez → torque no eixo de saída (precessão) → mola restringe → deflexão ∝ taxa angular

Torque balance: motor elétrico mantém rotor no null — corrente ∝ taxa angular

10 / 84

Free Gyro: Plano do Rotor Fixo no Espaço

Free Gyro - plano do rotor fixo no espaço

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.3

O plano do rotor permanece FIXO no espaço enquanto a caixa (carcaça) gira

Demonstra visualmente o princípio da rigidez no espaço

A orientação do rotor NÃO se altera com o movimento da base

Mesmo princípio do Attitude Indicator: barra do horizonte fixa ao rotor, aeronave gira ao redor

Collinson Cap.5
11 / 84

Momento Angular e Multiplicação Inercial

Momento Angular

H = J · ω

J = momento de inércia do rotor · ω = velocidade angular de spin

Quanto maior H → maior resistência a mudanças de direção

Comparação Dramática

Rotor PARADO: erro ∝ t² → 23° em 20s

Rotor GIRANDO (24.000 rpm): erro ∝ t → apenas 0,17° em 1 hora!

>100× de melhoria!

12 / 84

DTG: Princípio de Sintonia Dinâmica

DTG = Dynamically Tuned Gyro — usa fenômeno dinâmico para eliminar atrito nos gimbals

Junta flexível tipo Hooke (cardã) como gimbal de 2 eixos sem atrito

Sintonia dinâmica: na velocidade de projeto (~300 rev/s = 18.000 rpm), a rigidez negativa das flexuras é EXATAMENTE cancelada pela rigidez positiva das inércias do gimbal

Resultado: torque resultante NULO → rotor se comporta como free gyro ideal, sem mancais, sem atrito, sem fluido ("dry gyro")

13 / 84

DTG: Construção Mecânica

DTG - Construção Mecânica

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.2

Rotor (roda de momento angular) + junta flexível tipo Hooke (cardã)

Pivôs flexurais de 2 eixos substituem mancais tradicionais — zero atrito

Flexuras introduzem rigidez torcional (K) que deve ser cancelada

Sintonia dinâmica: rigidez negativa das flexuras = rigidez positiva das inércias do gimbal em ~300 rev/s

Collinson Cap.5
14 / 84

DTG: Torque Balance, Pick-offs e Pulse Torque

Pick-off (sensor de posição)

Detecta deslocamento do rotor da posição central

Indutivo: variação de indutância

Capacitivo: variação de capacitância

Malha de Torque Balance

Pick-off → Amplificador → Torque Motor → (realimentação)

Rotor mantido no null (posição central)

Corrente necessária ∝ taxa angular de entrada

Modo Pulse Torque

Pulsos calibrados de amplitude/duração fixos — cada pulso = incremento angular FIXO (1-10 arcsec)

Vantagem: interface digital direta — processador conta pulsos, elimina erros de linearidade do conversor A/D

15 / 84

DTG: Diagrama de Blocos do Torque Balance

DTG Rate Gyro - Torque Balance

Fonte: Collinson, Fig. 5.5

Pick-off → Amplificador → Torque Motor → Rotor

Corrente do torque motor ∝ taxa angular de entrada

DTG - Loops de Torque Balance e Cageamento

Fonte: Collinson, Fig. 5.6

Relógio HF + saída pulsos Δθₓ / Δθᵧ

Malha fechada mantém rotor no null

Malha fechada (closed loop) pick-off detecta desvio → amplificador → torque motor realimenta → rotor retorna ao null

16 / 84

DTG: Aplicações, Limitações e Acoplamento Cruzado

Aplicações

INS strap-down, AHRS helicópteros, mísseis, FBW com redundância de 2 eixos

Limitações

Liberdade angular limitada a ±0,5° — suficiente pois torque balance mantém rotor no null

Bandwidth 50–75 Hz

Acoplamento Cruzado

Torque em eixo X → precessão → perturbação no eixo Y

Solução: realimentação cruzada

17 / 84

Parte 3 — Giroscópios Ópticos (RLG e FOG)

Do mecânico ao óptico: revolução sem partes móveis

Efeito Sagnac: a luz, em caminho fechado, "sente" a rotação

GLOSSÁRIO RÁPIDO: RLG (Ring Laser Gyro = giroscópio a laser em anel) — usa dois feixes de laser contra-propagantes numa cavidade fechada triangular; a rotação altera a frequência dos feixes (batimento) proporcionalmente à taxa angular · FOG (Fiber Optic Gyro = giroscópio de fibra óptica) — usa uma bobina de fibra óptica; a rotação provoca diferença de fase (Efeito Sagnac) entre dois feixes de luz que percorrem a fibra em sentidos opostos
18 / 84

Vantagens dos Giroscópios Ópticos

Mecânicos

✕ Partes móveis com desgaste

✕ MTBF ~5.000–10.000h

✕ Tempo de inicialização: minutos

✕ Sensíveis à aceleração (erros de bias)

✕ Custo de manutenção elevado

Ópticos

✓ ZERO partes móveis com desgaste

✓ MTBF >60.000 horas (~7 anos contínuos!)

✓ Operação plena instantânea

✓ Insensibilidade à aceleração (RLG)

✓ Custo de propriedade drasticamente reduzido

Faixa dinâmica ~10⁸:1 — mesmo sensor mede de 0,01°/h até 400°/s!

GLOSSÁRIO RÁPIDO — MTBF: MTBF (Mean Time Between Failures = tempo médio entre falhas) — métrica de confiabilidade: o tempo médio de operação contínua esperado entre uma falha e a próxima. Ex.: MTBF de 60.000h significa que, em média, o equipamento opera ~7 anos contínuos antes de falhar — quanto maior, mais confiável.
19 / 84

Efeito Sagnac: Princípio e Equações

Intuição: dois feixes partem do mesmo ponto em sentidos opostos num caminho circular. Se o círculo gira, um percorre caminho MAIOR, outro MENOR

ΔT = 4AΩ / c²

A = área do caminho óptico · Ω = taxa de rotação · c = velocidade da luz

RLG: mede Δf (diferença de frequência) — Δf = K₀·Ω

Δf = diferença de frequência (batimento) [Hz] · K₀ = constante de escala do RLG · Ω = taxa de rotação

FOG: mede Φₛ (deslocamento de fase Sagnac) — Φₛ = (2πLD/λc)·Ω

Φₛ = deslocamento de fase Sagnac [rad] · L = comprimento da fibra · D = diâmetro da bobina · λ = comprimento de onda da luz · c = velocidade da luz · Ω = taxa de rotação

20 / 84

Efeito Sagnac: Cinemática dos Fótons

Cinemática do Efeito Sagnac

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.8

Dois fótons partem do ponto P: um CW, outro CCW

Sistema gira à taxa Ω → P se desloca para P' durante o trânsito

CW = 2πR + RΩT    CCW = 2πR − RΩT

DEFINIÇÃO — T = 2πR/c: T = período — tempo que a luz leva para dar uma volta completa no anel de raio R: comprimento do caminho (2πR) dividido pela velocidade da luz (c). É usado nas expressões CW/CCW para calcular quanto o ponto P se desloca (RΩT) durante o trânsito dos fótons.

ΔL = 4AΩ / c

Intuição: um percorre MAIOR, outro MENOR

Collinson Cap.5
21 / 84

Interferômetro Sagnac: Esquema Clássico

Interferômetro Sagnac Clássico

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.7(a)

Fonte de luz → divisor de feixe → caminho fechado → detector de franjas

Ondas horária (CW) e anti-horária (CCW) interferem → padrão de franjas

Rotação → deslocamento das franjas ∝ taxa de rotação

Michelson-Gale (1925): cavidade 600m × 300m mediu rotação da Terra — apenas ¼ de franja!

CURIOSIDADE — O LASER: O laser foi inventado em 1960 por Theodore Maiman (primeiro laser operacional, de rubi). Antes dele, o interferômetro Sagnac dependia de fontes de luz comuns (como no experimento de Michelson-Gale, 1925) — foi a luz coerente do laser que tornou viável o RLG prático, décadas depois.
Collinson Cap.5
22 / 84

RLG: Medição do Batimento

CERVIT = vitrocerâmica de baixíssima expansão térmica com canais triangulares e gás He-Ne

Fotodiodos em quadratura (90°): dois detectores defasados ¼ de franja → detectam SENTIDO da rotação

Cada pulso ≈ 3,4 segundos de arco — RLG é integrating rate gyro natural

23 / 84

RLG: Construção em CERVIT

RLG - Construção em CERVIT

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.10

Cavidade

Bloco sólido de CERVIT (vitrocerâmica de baixíssima expansão térmica)

Espelhos

3 espelhos montados por contato óptico — refletividade > 99,9%

Eletrodos

2 ânodos + cátodo comum (~2.000 V CC) — ionizam mistura He-Ne

Transdutor piezoelétrico ajusta comprimento da cavidade para manter potência laser no pico

24 / 84

RLG: Princípio de Onda Estacionária

RLG - Princípio de Onda Estacionária

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.9

Duas ondas contra-propagantes criam padrão de onda estacionária espacialmente fixo

RLG comporta-se como encoder óptico incremental

Fotodetector \"vê\" franjas passarem à medida que a cavidade gira

Energia eletromagnética tem inércia → onda estacionária \"resiste\" a girar

RLG é naturalmente um integrating rate gyro

Collinson Cap.5
25 / 84

RLG: Esquema do Giroscópio a Laser

RLG - Esquema do Giroscópio a Laser

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.7(b)

Cavidade triangular com espelhos nos vértices

Descarga de gás He-Ne ionizada → ação laser dentro da cavidade

Dois feixes (CW e CCW) gerados pela mistura gasosa

Δf medida por fotodiodos — saída digital pulsada

Cada pulso ≈ 3,4 segundos de arco de rotação

Collinson Cap.5
26 / 84

Lock-in e Dithering no RLG

Lock-in (Zona Morta)

Retroespalhamento nos espelhos acopla os feixes em baixas rotações

Δf = 0 mesmo com rotação real — saída = 0

Lock-in rate: 0,01 a 0,1 °/s

Dithering (Vibração)

Bloco vibrado a ~100 Hz com velocidade de pico ~1000 °/s

Passa pela zona de lock-in tão RÁPIDO que o acoplamento não se estabelece

Remoção: filtro notch em 100 Hz ou subtração eletrônica

COMO FUNCIONA O DITHER MECÂNICO: No centro do bloco há um motor piezoelétrico fixado à base do RLG que oscila o bloco com um movimento de torsão (torque alternado em torno do eixo do giroscópio), tipicamente a ~100 Hz. Essa vibração impõe uma velocidade angular oscilante que atravessa a zona de lock-in tão rapidamente que os feixes contra-propagantes não "grudam" — mantendo o RLG medindo corretamente mesmo em rotações muito baixas, onde sem isso a saída seria zero.
27 / 84

Lock-in e Dither: Gráficos de Resposta

Lock-in e Dither - comparação

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.11

Sem Dither

Zona morta entre −Ωₗ e +Ωₗ onde Δf = 0

Saída ZERO mesmo com rotação real

Com Dither

Zona morta ELIMINADA

Bloco vibrado a ~100 Hz, velocidade de pico ~1000°/s

Tempo de permanência no lock-in é ínfimo

Zero falhas no sistema de dither em >100 milhões de horas de operação

28 / 84

Comparação: RLG × Mecânicos × FOG

AtributoRLGDTGRate Gyro
Partes móveisNenhumaRotor + juntaRotor + mola
MTBF>60.000h~20.000h~5.000h
Precisão (bias)<0,005 °/h~0,01 °/h~1 °/h
Sensível a gNãoSimSim
Faixa dinâmica~10⁸:1~10⁵:1~10³:1
CustoAltoMédioBaixo

RLG: menor sensibilidade térmica (CERVIT), melhor para INS de alta precisão

FOG: menor custo, mais compacto, sem dithering. Sofre Efeito Shupe (gradientes térmicos) e Efeito Faraday (magneto-óptico)

29 / 84

RLG IMU: Fotografia Real

RLG IMU - Fotografia

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.12 (Cortesia GEC-Marconi Avionics)

Três RLGs montados ortogonalmente → roll, pitch e yaw rates

Único giroscópio strap-down que atende INS puro

Faixa dinâmica: 10⁸:1 (0,01°/h a 400°/s)

MTBF > 60.000 horas (~7 anos contínuos)

Collinson Cap.5
30 / 84

FOG: Princípio e Fase Sagnac

Bobina de fibra óptica multi-espiras (L = centenas de metros)

Φₛ = (2πLDΩ) / (λc)

Quanto maior L e D, maior sensibilidade

Modulação de fase π/2: desloca ponto de operação para máxima sensibilidade — sem modulação, FOG é "cego" para pequenas rotações

31 / 84

FOG: Esquema Básico e Modulação de Fase

FOG - Esquema Básico

Fonte: Collinson, Fig. 5.7(c)

Fonte laser → divisores → bobina de fibra → detector

Mudança de fase Sagnac medida no detector

FOG - Modulação de Fase

Fonte: Collinson, Fig. 5.13

Sem modulação: sensibilidade mínima (região de cosseno ≈ 0)

Modulação π/2 → máxima sensibilidade

Frequência típica: ~500 kHz (bobina 200m)

32 / 84

FOG: Malha Fechada e Fontes de Erro

Malha Fechada

Bobina → Detector → Demodulador → Servo → Transdutor de Fase → (realimentação)

Transdutor gera ΔΦ = −Φₛ → fase líquida = ZERO → saída ∝ Ω

Imune a variações de intensidade do laser

Fontes de Erro

Efeito Faraday: campo magnético → rotação de polarização não recíproca

Efeito Shupe: gradiente térmico → mudança no índice de refração

Vibração mecânica e ruído acústico

Variação do comprimento de onda da fonte

33 / 84

FOG IMU: Fotografia e Especificações

FOG IMU Smiths Industries

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.15 (Smiths Industries AHRS)

Três FOGs compartilham a mesma fonte laser

Especificações

Bias error: 1°/hora

Scale factor: 60 ppm

Random walk: 0,04°/√h

Peso: 420g

Volume: 245 cm³

Potência: 7,5 W

Primeiro grande pedido de produção FOG AHRS em 1991

Collinson Cap.5
34 / 84

FOG: Diagrama de Malha Fechada (IFOG)

IFOG - Malha Fechada

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.14

Saída do demodulador → servo amplificador → transdutor de fase não recíproco

Sistema opera sempre em nulo: fase gerada = −Φₛ

Saída independente da intensidade da fonte

Linearidade e estabilidade dependem apenas do transdutor de fase

35 / 84

Protótipo do Giroscópio de Fibra Óptica — MAB (São José dos Campos, SP)

FOG MAB FOG MAB FOG MAB FOG MAB
Placa MAB
36 / 84

Parte 4 — Acelerômetros Inerciais

Medem força específica, não aceleração absoluta

Tipos: pendular simples · torque balance (force-feedback) · MEMS

37 / 84

Princípio de Medição e Força Específica

Força Específica

f⃗ = a⃗ − g⃗ (força específica = aceleração inercial − gravidade)

Voo reto nivelado: f⃗ ≈ −g⃗ → mede ~1g para cima

Queda livre: f⃗ = g⃗ − g⃗ = 0 → mede ZERO

Princípio da Equivalência

Acelerômetro NÃO distingue gravidade de inércia

Mede TUDO MENOS gravidade (forças de contato)

Força específica = (T⃗ + L⃗ + D⃗) / m

VARIÁVEIS: T = Tração (empuxo do motor, sentido frontal) · L = Lift / Sustentação (força aerodinâmica perpendicular ao vento relativo) · D = Drag / Arrasto (força aerodinâmica contrária ao movimento) · m = massa da aeronave · O acelerômetro mede a soma vetorial dessas forças de contato, dividida pela massa — por isso NÃO mede gravidade
38 / 84

Acelerômetro Pendular e Torque Balance

Pendular Simples (Malha Aberta)

Massa desbalanceada + mola de restrição

Pick-off mede deflexão angular

Deflexão ≈ linear para pequenos ângulos (sen θ ≈ θ)

Torque Balance (Malha Fechada)

Pick-off → amplificador → torque motor eletromagnético

Pêndulo mantido no NULL → corrente ∝ aceleração

Vantagem: elimina cross-coupling

Pulse torque no acelerômetro: cada pulso = incremento de velocidade (Δv) — o acelerômetro funciona como INTEGRADOR

39 / 84

Loop de Torque Balance do Acelerômetro

Diagrama de blocos - Torque Balance do Acelerômetro

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.19

Componentes: dobradiça de mola (Kₛ) → ganho de fase → avanço → motor de torque → indutância

Ganho do loop deve ser alto para manter pequenas excursões do pêndulo sob vibração

Sem alto ganho → erros de retificação por vibração podem introduzir deslocamento DC significativo

Erro análogo a um diodo que retifica CA em CC

40 / 84

Acelerômetro Pendular com Torque Balance

Acelerômetro com Torque Balance

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.17

Bobina móvel + ímã permanente (similar a driver de alto-falante)

Malha fechada mantém pêndulo no null → corrente ∝ aceleração

Óleo viscoso: amortecimento + flutuação parcial (robustez a choque/vibração)

Pulse torque: cada pulso = incremento de velocidade (Δv) — funciona como integrador

Collinson Cap.5
41 / 84

Acelerômetro Pendular Simples (Malha Aberta)

Acelerômetro Pendular Simples

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.16

Massa pendular + dobradiça de mola + pick-off elétrico + óleo de amortecimento

Deflexão angular máxima limitada a ~±2° (sen 2° ≈ 3,3% erro)

Função de transferência: filtro passa-baixa quadrático de 2ª ordem

Aplicações de baixa precisão: 1–2% de erro

Collinson Cap.5
42 / 84

Acelerômetros MEMS e Erros

MEMS

Pentes interdigitados: fixo × móvel (suspenso por molas)

Aceleração → deslocamento → variação de capacitância

Vantagens: tamanho mm, baixíssimo custo, produção em massa

GLOSSÁRIO RÁPIDO — MEMS: MEMS (Micro-Electro-Mechanical Systems = Sistemas Micro-Eletromecânicos) — tecnologia de fabricação que integra estruturas mecânicas microscópicas (molas, massas, pêndulos) com circuitos eletrônicos num mesmo chip de silício, usando processos similares à fabricação de chips de computador. No acelerômetro MEMS, uma massa suspensa por molas microscópicas se desloca com a aceleração e esse deslocamento é medido eletronicamente (capacitivamente).

Erro de Retificação por Vibração

Não-linearidade + vibração senoidal → deslocamento LÍQUIDO (média ≠ zero)

Análogo a um diodo que "retifica" CA em CC

Solução: alto ganho mantém pêndulo no null (regime linear)

43 / 84

Acelerômetro MEMS de Estado Sólido

Acelerômetro MEMS - corte transversal

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.18

Pêndulo + dobradiça de mola gravados em substrato de silício (fabricação de semicondutores)

Pick-off capacitivo detecta deflexão; forças eletrostáticas restauram o null

Tamanho muito pequeno, baixíssimo custo de produção em massa

Aplicações: drones, smartphones, airbags — menor precisão, mas revolucionário

Collinson Cap.5
44 / 84

Parte 5 — AHRS: Sistema de Referência de Atitude e Proa

AHRS = Attitude and Heading Reference System — o "cérebro" que calcula para onde o avião aponta

Integração de giroscópios + acelerômetros + magnetômetros

45 / 84

AHRS: Função, Arquitetura e Fusão Sensorial

Arquitetura Típica

3 giroscópios + 3 acelerômetros + 3 magnetômetros (fluxgates)

Fluxgate: magnetômetro com núcleo de material magnético excitado por corrente alternada

Destino: HUD, EFIS, piloto automático, navegação

Fusão Sensorial

Giroscópios: estabilidade curto prazo, resposta dinâmica rápida

Acelerômetros: correção de tilt (longo prazo, ~100–200s)

Magnetômetros: correção de heading (longo prazo)

Filtro de Kalman ou filtro complementar (passa-alta + passa-baixa)

AHRS ≠ INS: AHRS fornece atitude + proa. INS = AHRS + dupla integração das acelerações → posição + velocidade

46 / 84

AHRS: Sistema Completo (FAA)

AHRS - Sistema Completo FAA

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-26

Magnetômetro (fluxgate) + giroscópios + acelerômetros → atitude ao PFD e heading ao display

Substituiu giroscópios de rotação livre por sistemas de estado sólido

Pitch e bank → indicador de atitude eletrônico

Heading derivado do magnetômetro que detecta linhas de fluxo magnético da Terra

GLOSSÁRIO RÁPIDO: Pitch (arfagem) = ângulo de inclinação do nariz da aeronave em relação ao horizonte: nariz para cima = pitch positivo · Bank (rolagem / angle of bank) = ângulo de inclinação lateral das asas em relação ao horizonte: asa direita para baixo = bank direito · Heading (proa) = direção apontada pelo nariz da aeronave, medida em graus a partir do norte magnético (0° = Norte, 090° = Leste, 180° = Sul, 270° = Oeste)
FAA PHAK Cap.8
47 / 84

Representação de Atitude: Euler e Quaternions

Ângulos de Euler (ψ, θ, φ)

Ordem aeronáutica: 1º yaw (Z) → 2º pitch (Y) → 3º roll (X)

NÃO comutativa: roll 90° + pitch 90° ≠ pitch 90° + roll 90°

Singularidade (gimbal lock): θ = ±90° → tan θ → ∞ → perde 1 grau de liberdade

LEGENDA: ψ (psi) = yaw / guinada — rotação em torno do eixo vertical (Z) · θ (theta) = pitch / arfagem — rotação em torno do eixo lateral (Y) · φ (phi) = roll / rolagem — rotação em torno do eixo longitudinal (X)

Quaternions (q = e₀ + e₁i + e₂j + e₃k)

Número hipercomplexo com 4 componentes

e₀ = cos(α/2) · e₁,e₂,e₃ = eixo × sen(α/2)

Sem singularidades · valores em [−1,1] · multiplicação eficiente (16×, 12+)

Atualização: recebe p,q,r dos giros → matriz anti-simétrica × ½Δt → norma unitária reaplicada a cada iteração

48 / 84

Resolução da Velocidade Verdadeira

Resolução da Velocidade Verdadeira

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.32

Decomposição da velocidade verdadeira VT nos eixos do corpo a partir do ângulo de ataque (α) e derrapagem (β)

U = VT · cos α · cos β

V = VT · sen β

W = VT · sen α · cos β

Essencial para loops de mistura de dados de ar/velocidade inercial no monitoramento vertical do AHRS

Collinson Cap.5
49 / 84

Derivação da Atitude: Diagrama de Blocos

Derivação da Atitude - Diagrama de Blocos

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.23

Entradas: ΔP (roll), ΔQ (pitch), ΔR (yaw) — incrementos angulares dos giros integradores

Integração dos parâmetros de Euler → conversão para ângulos (ϕ, θ, ψ)

Exemplo numérico:

p=1 rad/s, q=0,04 rad/s, r=0,05 rad/s, Δt=0,01s

→ roll=36,87°, pitch≈0°, heading=36,92°

Collinson Cap.5
50 / 84

Parte 6 — Duas Arquiteturas de Montagem

Plataforma Estabilizada

Sensores isolados por gimbals

Ângulos lidos diretamente dos pick-offs

Strap-Down

Sensores fixos ao corpo

Gimbals "matemáticos" no computador

51 / 84

Plataforma Estabilizada por Gimbals

Sensores montados em plataforma isolada por anéis de gimbal (cardãs)

3 gimbals: azimute (ilimitado) · roll interno (±20°) · pitch (ilimitado)

4º gimbal (outer roll): evita gimbal lock quando pitch ≈ 90°

Vantagem: ângulos de Euler lidos DIRETAMENTE — sem processamento computacional

52 / 84

Plataforma Estável: Esquema Detalhado e 4º Gimbal

Plataforma com 4 gimbals

Fonte: Collinson, Fig. 5.20

4 gimbals: azimute (ilimitado), roll interno (±20°), pitch (ilimitado), roll externo (ilimitado)

Operação do 4º Gimbal

Fonte: Collinson, Fig. 5.21

4º gimbal (outer roll) evita gimbal lock durante manobras verticais (loops)

2 giroscópios de 2 eixos (DTGs) estabilizam a plataforma

53 / 84

Conceito de Plataforma Estabilizada

Conceito de Plataforma Estabilizada

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.4

Giroscópios detectam movimento angular da fuselagem → comandam torques para manter plataforma orientada no espaço

Plataforma \"flutua\" dentro dos gimbals, isolada do movimento da aeronave

Pick-offs de ângulo controlam servos dos gimbals → ângulos ≈ zero

Pode ser alinhada com eixos da Terra (N-S, L-O, Vertical local)

Collinson Cap.5
54 / 84

Desvantagens da Plataforma Estabilizada

Complexidade mecânica: gimbals, mancais, slip-rings, servomotores, synchros

Peso elevado, volume grande, alto consumo de energia

Custo de aquisição e manutenção elevados

Desgaste mecânico progressivo

Mas... o avanço dos computadores digitais viabilizou a alternativa strap-down →

55 / 84

Sistema Strap-Down: Conceito e Vantagens

Conceito

Sensores RIGIDAMENTE fixados à estrutura da aeronave

Medem no body frame: p, q, r (taxas angulares) + acelerações

DCM (Direction Cosine Matrix): matriz 3×3 que transforma body → nav frame

Vantagens

✓ Elimina gimbals, mancais, slip-rings

✓ Maior confiabilidade (MTBF)

✓ Menor peso e custo

✓ Domina hoje: giroscópios ópticos + computadores digitais

56 / 84

Strap-Down: Esquema do Sistema

Strap-Down - Esquema do Sistema

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.22

Giroscópios medem taxas angulares do corpo (p, q, r) → computador de bordo

Computador calcula atitude (roll, pitch, heading), velocidade e posição

Elimina completamente: gimbals, rolamentos, slip-rings, servomotores, synchros

Confiabilidade e custo de propriedade muito superiores

Collinson Cap.5
57 / 84

Strap-Down: Coning Motion e Erro de Comutação

Erro de comutação: rotações 3D NÃO comutam → ordem arbitrária na integração introduz erro

Coning motion: oscilações senoidais em 2 eixos ortogonais → eixo Z descreve CONE → surge termo DC não-zero

Vehicle rates: V_N/R, V_E/R, (V_E/R)tan λ — taxas induzidas pela curvatura/rotação da Terra

58 / 84

Movimento Cônico (Coning Motion)

Coning Motion - ilustração 3D

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.24

Oscilações senoidais mesma frequência em 2 eixos ortogonais com 90° de fase → eixo Z descreve cone

q = A·ω·cos(ωt), r = 0,1·A·ω·sen(ωt) → taxa de roll rectificada = A²ω/2

Causa drift de retificação no strap-down (rotações não comutam)

Exemplo: amplitude 10° a 1 Hz, erro scale factor 0,01% → ~0,02°/h de drift

Collinson Cap.5
59 / 84

Parte 7 — Instrumentos Giroscópicos de Cabine

FAA PHAK Cap. 8: os 4 instrumentos giroscópicos do painel

Attitude Indicator

Heading Indicator

Turn Coordinator

Turn-and-Slip

60 / 84

Attitude Indicator (Horizonte Artificial)

Free gyro com eixo de spin VERTICAL — rotor no plano horizontal (~20.000 rpm)

Sistema de correção vertical: corrige drift por atrito nos mancais

Pendulous vanes: palhetas pendulares acionadas pelo fluxo de ar — correção PASSIVA, sem eletrônica

Limitação: erro em curvas prolongadas — força centrífuga + gravidade = "vertical aparente" errada

61 / 84

Attitude Indicator: Leitura da Escala de Bank

Attitude Indicator - 6 atitudes

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-24

Escala de bank move-se na mesma direção da inclinação (na maioria dos modelos)

Usar relação avião miniatura × barra do horizonte → DIREÇÃO do bank; escala → GRAU do bank

Limites: bank acima de ~100°, pitch acima de ~60°–70° — acima disso o instrumento pode tumbar

O QUE É TUMBLING (TUMBAR): quando a aeronave ultrapassa os limites do instrumento — bank acima de ~100° ou pitch acima de ~60°–70° — o gimbal interno do giroscópio atinge os stops mecânicos e perde a referência vertical: o rotor "tumba" (gira sem controle) e o instrumento passa a indicar atitude falsa. Recuperação: retornar a atitudes normais e realinhar o instrumento (botão cage/reset); até lá, voar pelos instrumentos de taxa (ex.: turn coordinator).

62 / 84

Attitude Indicator: Mecanismo Interno

Attitude Indicator - Vista Explodida

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-23

Giroscópio horizontal + gimbal de roll + gimbal de pitch + braço de referência + índice de bank

Rotor gira no plano horizontal (~20.000 rpm) — barra do horizonte fixa ao giroscópio

Aeronave real gira AO REDOR do giroscópio → miniatura no painel mostra atitude

Pendulous vanes: palhetas pendulares — correção passiva do drift

FAA PHAK Cap.8
63 / 84

Heading Indicator (Indicador de Proa)

Princípio

Free gyro com eixo de spin HORIZONTAL (rotor no plano vertical)

Mostrador (rosa dos ventos) fixo ao ROTOR — carcaça fixa ao painel

Fornece referência direcional estável — não sofre erros de dip nem "norteadas"

Drift e Correções

Drift: ~3–15°/h (atrito) + ~15°/h (rotação da Terra)

Realinhamento periódico com bússola magnética (a cada 15 min)

Versão "slaved": fluxgate corrige continuamente — giro é "escravo" do magnetômetro

64 / 84

Heading Indicator: Mecanismo Interno

Heading Indicator - Vista Explodida

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-25

Free gyro com eixo de spin horizontal — rotor no plano vertical

Rosa dos ventos fixa ao rotor → mantém orientação fixa no espaço

Aeronave gira ao redor do giroscópio → cartão indica o rumo

Drift: ~3–15°/h (atrito) + ~15°/h (rotação da Terra) → realinhamento a cada 15 min

Versão slaved: fluxgate corrige continuamente (HSI)

FAA PHAK Cap.8
65 / 84

HSI e RMI: Instrumentos de Navegação Avançados

HSI - Horizontal Situation Indicator

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-29

HSI: integra rumo do giroscópio + dados VOR/ILS — desvio lateral, TO/FROM, curso selecionado

RMI - Radio Magnetic Indicator

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-30

RMI: acionado por fluxgate — ponteiro verde (ADF), ponteiro duplo (VOR)

Transmissor magnético escravo (fluxgate) montado na ponta da asa para evitar interferência

Slave meter: indica diferença entre rumo exibido e rumo magnético real

GLOSSÁRIO RÁPIDO: HSI (Horizontal Situation Indicator) = indicador de situação horizontal — integra o rumo giroscópico com dados de navegação (VOR/ILS) numa única apresentação: desvio lateral, bandeira TO/FROM e curso selecionado · RMI (Radio Magnetic Indicator) = indicador magnético de rádio — combina a rosa de rumo magnético (acionada pelo fluxgate) com ponteiros de rádio: ponteiro verde = ADF, ponteiro duplo = VOR · ADF (Automatic Direction Finder) = localizador automático de direção — receptor que aponta continuamente para uma estação de rádio não direcional (NDB) · VOR (VHF Omnidirectional Range) = radiofarol omnidirecional em VHF — estação de solo que permite determinar o radial/curso magnético até ela · ILS (Instrument Landing System) = sistema de pouso por instrumentos — fornece guia lateral (localizer) e vertical (glideslope) para aproximação de precisão · Fluxgate = sensor magnético de estado sólido usado como bússola escrava — mede a direção do campo magnético terrestre; o transmissor fica na ponta da asa para evitar interferência magnética da estrutura

66 / 84

Turn Coordinator e Turn-and-Slip Indicator

Turn-and-Slip: rate gyro com eixo horizontal (paralelo às asas) — detecta APENAS yaw rate

Turn Coordinator: gimbal inclinado ~30° → sensível a roll + yaw → detecta ENTRADA na curva ANTES da guinada

Inclinômetro (bolinha): indica coordenação — resultante de gravidade + força centrífuga

Curva padrão: 3°/segundo = 360° em 2 minutos

67 / 84

Coordenação de Curva: Slip e Skid

Slip e Skid - três cenários

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-22

✓ Coordenada

Bola centrada

Taxa de giro = adequada para o bank

Slip (Escorregão)

Bola para DENTRO

Diminuir bank e/ou aumentar taxa

Skid (Derrapagem)

Bola para FORA

Aumentar bank e/ou diminuir taxa

Regra prática: \"Pise na bola\" (step on the ball) — aplique leme no lado para onde a bola se deslocou

68 / 84

Turn-and-Slip × Turn Coordinator

Turn-and-Slip e Turn Coordinator

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-21

Turn-and-Slip

Giroscópio montado no plano vertical (eixo longitudinal)

Detecta APENAS yaw rate

Turn Coordinator

Gimbal inclinado ~30° (giroscópio inclinado)

Detecta roll + yaw → responde ANTES da guinada

Ambos possuem inclinômetro (bolinha) para coordenação

Marcas: 1ª = asas niveladas, 2ª = taxa padrão (3°/s)

69 / 84

Alimentação e Erros dos Instrumentos Giroscópicos

Sistema de VÁCUO

Bomba mecânica aspira ar → rotor gira como turbina (10.000–24.000 rpm)

Pressão: 4–5 "Hg de sucção

Alimenta: Attitude Indicator + Heading Indicator

Sistema ELÉTRICO

Motor de indução/síncrono

Alimenta: Turn Coordinator

Redundância: se motor falhar → vácuo some, mas Turn Coordinator elétrico continua na bateria

Definições de Erro

Drift (deriva): sinal de saída com entrada ZERO (°/h) — ex: 0,01°/h → 0,1° após 10h de voo

Scale Factor: desvio na relação entrada/saída (ppm) — ex: erro de 100 ppm

Especificação típica INS: bias <0,01°/h, scale factor <10 ppm → erro < 1 NM/h

70 / 84

Sistema de Vácuo Típico (FAA)

Sistema de Vácuo - Diagrama

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-20

Bomba de vácuo tipo palhetas (acionada pelo motor) → filtro → instruments → alívio → medidor → ventilação

Pressão típica: 4,5–5,5 \"Hg de sucção

Attitude Indicator + Heading Indicator alimentados por vácuo

Pressão baixa → instrumentos instáveis — verificar cruzadamente em voo

FAA PHAK Cap.8
71 / 84

Ângulo de Ataque (AOA) e Indicador

Indicador de Ângulo de Ataque

Fonte: FAA PHAK, Fig. 8-31

AOA é o melhor parâmetro para evitar estol — aeronave sempre estola no mesmo AOA crítico

Independente de peso, bank, temperatura ou CG

AOA é \"invisível\" sem indicador específico

Indicadores modernos: representação visual do estado de energia e proximidade do estol

FAA PHAK Cap.8
72 / 84

Parte 8 — Alinhamento Inicial e Monitoramento Contínuo

Como o sistema sabe onde está o Norte e a Vertical?

Gravidade (g⃗) → vertical → roll/pitch

Rotação da Terra (Ω⃗) → Norte verdadeiro → heading de precisão (INS)

Campo magnético (B⃗) → Norte magnético → heading aproximado (AHRS)

73 / 84

Gyrocompassing: Determinando o Norte Verdadeiro

Princípio

Ω⃗ aponta para o Norte geográfico

Componente horizontal (Norte) = Ωcos λ

Componente vertical = Ωsen λ

Componente Leste-Oeste = ZERO

Procedimento

Eixo de entrada no plano horizontal

Varredura de 360° → taxa medida varia SENOIDALMENTE

MÁXIMO da senoide → eixo aponta Norte-Sul

Requisito: bias < 0,01°/h

AHRS típicos (0,3–5°/h) NÃO conseguem gyrocompassing. Usam magnetômetros para heading inicial.

74 / 84

Componentes da Rotação da Terra

Componentes da Rotação da Terra

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.25

Decomposição do vetor de rotação da Terra (Ω) em Norte (Ω·cos λ) e Vertical (Ω·sen λ)

Componente Leste-Oeste = ZERO — base do gyrocompassing

Exemplo: São Carlos (~22°S)

Ω·cos λ ≈ 13,9°/h   |   Ω·sen λ ≈ 5,6°/h

Importante para correções de taxa do giroscópio vertical

Collinson Cap.5
75 / 84

Nivelamento Gravitacional e Schuler Tuning

Nivelamento Gravitacional

Acelerômetros = "prumo eletrônico"

Tilt → componente de g nos acelerômetros horizontais → sinal de erro → torque motors corrigem

Constante de tempo: T ≈ 100–200 segundos (lento para ignorar manobras)

Schuler Tuning

Sistema inercial calibrado como "pêndulo de Schuler" de comprimento R (raio da Terra)

T = 2π√(R/g) ≈ 84,4 minutos

Acelerações horizontais NÃO causam erro permanente!

76 / 84

Resolução do Vetor Gravidade

Resolução do Vetor Gravidade

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.33

Componentes da gravidade nos eixos do corpo:

gx = −g · sen θ

gy = g · cos θ · sen ϕ

gz = g · cos θ · cos ϕ

Essencial para separar contribuição gravitacional da aceleração real do veículo

Correção fundamental no processamento dos acelerômetros do AHRS

Collinson Cap.5
77 / 84

Sistema de Nivelamento Gravitacional

Sistema de Nivelamento Gravitacional

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.27

Acelerômetros medem erro de tilt → realimentam para precessionar giroscópio vertical de volta ao null

Diagrama: acelerômetro → amplificador → torque motor do giro → plataforma

Constante de tempo T = 1/Kg ≈ 100–200 segundos

Cut-out: desliga monitoramento quando aceleração > 0,1g

Erro estacionário: θ_ss = W·T (drift × constante de tempo)

Collinson Cap.5
78 / 84

Componentes da Taxa do Veículo

Componentes da Taxa do Veículo

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.26

Aeronave voa sobre superfície esférica → vertical local gira no espaço

Três correções: V_N/R (eixo Leste), V_E/R (eixo Norte), (V_E/R)·tan λ (eixo vertical)

Exemplo: 600 nós, proa 030° → componente Norte = 519,6 nós → taxa ≈ 8,66°/h

tan λ → ∞ nos polos (>75°) → usa-se azimute livre

Collinson Cap.5
79 / 84

Filtragem Complementar e Monitoramento Magnético

Filtragem Complementar

Giro (passa-alta): resposta dinâmica excelente, bloqueia drift DC

Magnetômetro (passa-baixa): referência longo prazo, suaviza ruídos

Frequência de corte típica: 0,01–0,05 Hz (τ = 20–100s)

Ângulo de Dip Magnético

dip = ângulo do campo magnético com a horizontal

Tilt da aeronave → erro de heading AMPLIFICADO por tan(dip)

Perto dos polos: tan(dip) → ∞ → AHRS depende exclusivamente dos giros

80 / 84

Sistema Fluxgate e Componentes do Campo Magnético

Componentes do Campo Magnético

Fonte: Collinson, Fig. 5.35

Componentes Hx, Hy, Hz com ângulo de dip magnético

Monitoramento Magnético do Rumo

Fonte: Collinson, Fig. 5.36

Detector fluxgate 3 eixos + coeficientes de correção + mistura giro/magnética

Fluxgate excitado por corrente senoidal de áudio que satura os núcleos — 2ª harmônica captada no secundário ∝ campo externo

Em altas latitudes: ângulo de dip ≈ 90° → componente horizontal ≈ 0 → referência magnética inutilizável

81 / 84

Filtragem Complementar: Conceito e Resposta

Filtragem Complementar - magnitude e resposta temporal

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.31(a) e (b)

Diagrama de Magnitude × Frequência

Passa-alta (giro): boa resposta dinâmica, bloqueia drift DC

Passa-baixa (magnetômetro): boa precisão DC, filtra ruído

Resposta Temporal

Saída combinada = entrada sem atraso + baixo ruído

Frequência de corte: 0,003–0,05 Hz (τ = 20–300s)

Collinson Cap.5
82 / 84

Monitoramento Vertical (Doppler/Dados de Ar)

Monitoramento Vertical

Fonte: Collinson, 2011, Fig. 5.29

Mistura de dados de velocidade (Doppler ou air data) com velocidade inercial

Comparação entre velocidades inerciais e medidas externamente → realimenta correção dos erros de tilt

Giroscópios 1–5°/h + air data → precisão vertical ~0,2°

Giroscópios 1–3°/h + Doppler → precisão vertical ~1–2 min de arco

Collinson Cap.5
83 / 84

Resumo da Aula 03

Fundamentos → Momento Angular → Ópticos → Acelerômetros → AHRS → Plataforma/Strap-Down → Instrumentos de Cabine → Alinhamento

Fórmulas-Chave

T⃗ = H⃗ × ω⃗p

ΔL = 4AΩ / c

Φₛ = 2πLDΩ / λc

TSchuler = 84,4 min

Principais Definições

Bias = sinal com entrada zero · Drift = variação do bias · Pick-off = sensor de deslocamento · Torque balance = malha mantendo null · MTBF = Mean Time Between Failures · DCM = Direction Cosine Matrix

Dúvidas? Procurem o professor!

Collinson (2011) Cap. 5 · FAA PHAK (2025) Cap. 8

84 / 84
clique em Ouvir