Os meios pelos quais a mensagem chega — HF, VHF, UHF e SATCOM, voz e enlace de dados; o que precisa chegar, a quem, e com que garantia.
FEDERAL AVIATION ADMINISTRATION (FAA). Pilot's Handbook of Aeronautical Knowledge. FAA-H-8083-25C. Washington, DC: FAA, 2023. Caps. 14 e 15.
FEDERAL AVIATION ADMINISTRATION (FAA). Instrument Procedures Handbook. FAA-H-8083-16B. Washington, DC: FAA, 2017. Caps. 1, 2, 3, 4 e 6.
FEDERAL AVIATION ADMINISTRATION (FAA). Advisory Circular 90-117 — Data Link Communications. Washington, DC: FAA, 3 out. 2017. Disponível em: https://www.faa.gov/documentLibrary/media/Advisory_Circular/AC_90-117.pdf
Prof. Fabriciu Alarcão Veiga Benini
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico — área Aeronáutica
Engenheiro Eletricista — Mestre em Sistemas Dinâmicos — Doutor em Telecomunicações
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus São Carlos
Toda mensagem aeronáutica precisa responder a três perguntas ao mesmo tempo: quem fala com quem, por qual meio e com que garantia.
Não existe o melhor rádio: existe o meio que entrega aquela mensagem àquele destinatário com aquela garantia.
| Quem fala | Com quem | Por onde e com que regra |
|---|---|---|
| Piloto | Torre de controle (aeródromo com torre) | VHF; para operar de, para ou através de aeródromo com torre operacional, a comunicação bilateral por rádio deve estar estabelecida dentro de 4 NM do aeródromo, até 2.500 ft AGL. |
| Piloto | Controle de solo e entrega de clareamento | VHF; o clareamento IFR é pedido ao solo ou à entrega, e há o clareamento antes do táxi (pre-taxi clearance), chamado até 10 minutos antes de iniciar o táxi. |
| Piloto | Center (ARTCC), por setor | Frequência VHF (ou UHF) exclusiva do setor; na transferência, o controlador atribui a nova frequência e nomeia a instalação a contatar. |
| Piloto | Estação de Serviço de Voo (FSS) | Briefing meteorológico, plano de voo, retransmissão de autorizações do ATC e emissão de NOTAM. |
| Piloto (em solo) | ATC ou AFSS por GCO (Ground Communication Outlet) | Rádio VHF conectado a uma linha telefônica: quatro toques na tecla para a instalação ATC mais próxima e seis toques para a AFSS local — ferramenta de operação em solo. |
| Piloto | Operador de UNICOM (aeródromo sem torre) | Frequência CTAF publicada; a comunicação bilateral não é obrigatória e o autoanúncio é a prática. |
| Torre | Piloto (ATIS) | Radiodifusão contínua de sentido único, em VHF dedicada ou na parte de voz de um NAVAID local; o sinal é projetado para 60 NM de distância e 25.000 ft AGL. |
Síntese A mesma aeronave é destinatário de seis conversas de mão dupla — torre, solo/entrega, Center, FSS, GCO e UNICOM — e de uma radiodifusão só de ida (ATIS).
O meio só vira serviço quando existe caminho de volta — e um plano para quando ele acaba.
Garantia não é cortesia: é o que permite ao sistema separar tráfego presumindo que a mensagem chegou.
A lista das faixas já apareceu em panorama; o que interessa aqui é o que cada uma resolve e o que cobra em troca.
Cobre a voz do dia a dia: 118,0 a 136,975 MHz, em linha de visada, com alcance que cresce com a altitude. No plano de voo: V e Y.
Cobre a operação de Center: a letra U declara UHF RTF. Os sítios trazem pares VHF/UHF: Huntsville 120,8 e 307,0; Chattanooga 132,05 e 353,8.
Cobre a distância: espaço aéreo oceânico e continental remoto, fora do alcance dos rádios de solo. Cobra a ionosfera, que distorce o sinal. No plano de voo: H (HF RTF) e J2 (CPDLC FANS 1/A HFDL).
Cobre onde não há sítio de solo alcançável: é a sub-rede oceânica e continental remota — só com VDL a aeronave não é elegível. Voz (M1 INMARSAT, M2 MTSAT, M3 Iridium) e dados (J5, J6, J7): classes Classic Aero, SBB e SBD.
A escolha do meio é uma troca declarada: o piloto declara no plano de voo exatamente o equipamento que tem a bordo.
É a faixa que a aviação geral mais usa — e a que a Europa Ocidental teve de apertar.
Síntese Canalizar é dividir a mesma faixa em mais canais — e o passo de 25 kHz é o teto de quantos caberiam.
Antes de mudar de faixa, o sistema tenta caber mais canais no mesmo espectro.
O espaçamento é uma capacidade declarada: quem não transmite e recebe em 8,33 kHz não entra naquele espaço aéreo.
A HF cobra a dependência da camada: a ionosfera muda, o sinal distorce e a melhor frequência não fica parada.
Das quatro faixas, o SATCOM é a única em que o meio é o próprio plano de voo — o piloto diz que tem, e o ATC conta com isso.
A mesma mensagem pode ir por fonia ou por enlace de dados — o que muda é quem ocupa a frequência e por quanto tempo.
Não é o meio que decide: é o que precisa chegar, a quem e com que garantia.
Palco — um único vão de 25 kHz repartido em canais mais estreitos de 8,33 kHz: o mesmo espectro, mais canais.
| VHF dedicada | Alcance projetado | Altura máxima de recepção |
|---|---|---|
| ATIS | 60 NM | 25.000 ft AGL |
| ASOS/AWSS | 25 NM | 10.000 ft AGL |
Tabela 1 — o que a instalação VHF dedicada projeta alcançar.
Palco — esquema de planta: a divisa entre dois Centers, os sítios remotos e a transferência de frequência.
| Item do reporte | O que se informa |
|---|---|
| Identificação da aeronave | o indicativo, como em qualquer chamada |
| Equipamento afetado | VOR · TACAN · ADF · GPS · ILS · comunicação ar-solo |
| Grau de prejuízo | quanto isso tira da operação sob IFR no sistema ATC |
| Assistência desejada | o que o piloto pede ao ATC |
| Letra | Pronúncia | Letra | Pronúncia | Letra | Pronúncia | Letra | Pronúncia |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| A | Alfa | H | Hotel | O | Oscar | V | Victor |
| B | Bravo | I | India | P | Papa | W | Whiskey |
| C | Charlie | J | Juliett | Q | Quebec | X | X-ray |
| D | Delta | K | Kilo | R | Romeo | Y | Yankee |
| E | Echo | L | Lima | S | Sierra | Z | Zulu |
| F | Foxtrot | M | Mike | T | Tango | — | — |
| G | Golf | N | November | U | Uniform | — | — |
| Campo de equipamento | O que declara para a voz |
|---|---|
| H | HF RTF: radiotelefonia em HF |
| J2 | CPDLC FANS 1/A HFDL: enlace de dados em HF |
| M1 | ATC RTF SATCOM (INMARSAT) |
| M2 | ATC RTF (MTSAT) |
| M3 | ATC RTF (Iridium) |
| U | UHF RTF |
| V | VHF RTF |
Órgãos de controle e de serviço com que a aeronave fala — e o que cada um faz
Fluxo seguro, ordenado e expedito do tráfego onde o tipo de operação e o volume exigem. Rádio bilateral: acusar o recebimento e cumprir; não podendo cumprir, avisar o ATC e pedir instruções emendadas. Em emergência pode desviar de uma instrução, informando o ATC.
O contato no movimento de superfície: pista, rota de táxi e ponto de espera. A autorização recebida é lida de volta (read back).
Emite o clareamento IFR antes da saída; o pedido é feito ao controle de solo ou à entrega.
São 21 nos Estados Unidos. Todo voo IFR dentro do espaço de um Center é controlado pelos seus controladores; maior componente do NAS, opera continuamente, 24 horas por dia. Cada setor tem frequência de rádio exclusiva.
Briefing e meteorologia em rota; recebe e processa planos IFR e VFR; retransmite autorizações do ATC; emite NOTAMs; assiste aeronaves perdidas ou em emergência.
Cartas de saída, de aproximação e de aeródromo, e o Chart Supplement (CS), que lista fontes, telefones e frequências por aeródromo.
Em espaço aéreo controlado, o rádio bidirecional com o ATC não é conveniência: é condição de entrada — salvo autorização expressa do ATC.
Sem torre em operação a comunicação bilateral não é obrigatória — mas anunciar as intenções na frequência comum correta é boa prática
Common Traffic Advisory Frequency: frequência designada para o aconselhamento em aeródromo sem torre — pode ser UNICOM, MULTICOM, de FSS ou de torre.
Estação ar/solo não governamental: informa as condições do aeródromo sem torre ou FSS — tempo, vento e pista recomendada; designada CTAF, consta das publicações.
Usada onde não há torre, FSS nem UNICOM: a chamada é o autoanúncio.
| Instalação | Frequência | Procedimento |
|---|---|---|
| UNICOM, sem torre/FSS | CTAF publicada: 122,7; 122,8; 122,725; 122,975 ou 123,0 | Comunicar com a UNICOM na CTAF |
| Sem torre/FSS/UNICOM | MULTICOM 122,9 | Autoanúncio na MULTICOM |
| Sem torre, FSS aberto | CTAF | Comunicar com o FSS na CTAF |
| FSS fechado, sem torre | CTAF | Autoanúncio na CTAF |
| Torre ou FSS fechado | CTAF | Autoanúncio na CTAF |
Pontos de chamada: antes de taxiar e antes de taxiar na pista, a 10 milhas, na perna do vento, na base, na final e ao deixar a pista. Sem torre para o clareamento IFR, o RCO, o GCO e o UNICOM alcançam o ATC; sem contato na UNICOM, usa-se o autoanúncio.
Radiodifusão contínua de informação gravada, não relacionada com controle de tráfego
As estações de reporte meteorológico estão no Chart Supplement (CS); as frequências de ATIS, D-ATIS, AWOS, ASOS e AFSS também são publicadas nas cartas de aproximação.
O QUE É — radiodifusão contínua de informação gravada em áreas terminais de alta atividade, para aliviar a congestão de frequência. Sai em VHF dedicada ou na voz de um NAVAID local.
ALCANCE — as transmissões em VHF dedicada são projetadas para ser recebidas a 60 NM do sítio e a 25.000 ft AGL; condições locais podem encurtar distância e altitude.
O QUE CONTÉM — horário da última sequência meteorológica, teto, visibilidade, obstruções à visão, temperatura, ponto de orvalho, vento (direção magnética e velocidade), altímetro, observações pertinentes, aproximação por instrumentos e pista em uso.
OMISSÃO — teto/céu, visibilidade e obstruções à visão podem ser omitidos se o teto estiver acima de 5.000 ft e a visibilidade for superior a cinco milhas.
ATUALIZAÇÃO — a cada informação meteorológica oficial, horária ou especial; nova gravação quando muda outro dado pertinente, como pista ou aproximação em uso.
QUANDO A TORRE FECHA — com torre de operação parcial, a informação ASOS/AWSS é difundida no ATIS quando a torre fecha — só com ASOS/AWSS no campo e chave de interface ATIS–ASOS/AWSS na torre.
Disponível na maioria dos aeródromos com torre em operação — os relatórios na frequência do ATIS só existem no horário regular de operação da torre, com pistas e aproximações em uso e indisponibilidades específicas.
O código, a chamada inicial e o ATIS que chega por enlace de dados
O ATIS não é o relatório mais atual disponível. Ele é atualizado a cada hora — e a cada mudança significativa do tempo: obtenha a informação mais recente com a torre antes de deixar o aeródromo. ASOS/AWSS e AWOS não substituem os relatórios da torre.
Equipamento e capacidades de radiocomunicação, navegação e auxílios de aproximação
Não é uma lista de aviônicos: é a frase com que a aeronave diz ao sistema o que ela é capaz de fazer.
Os quatro códigos que declaram radiotelefonia
| Letra | Capacidade declarada |
|---|---|
| H | HF RTF |
| U | UHF RTF |
| V | VHF RTF |
| Y | VHF com capacidade de espaçamento de canal de 8,33 kHz |
Auxílios de solo, sistemas de aumento e navegação a bordo
| Letra | Capacidade declarada |
|---|---|
| A | Sistema de pouso GBAS |
| B | LPV (APV com SBAS) |
| C | LORAN C |
| D | DME |
| F | ADF |
| G | GNSS |
| I | Navegação inercial |
| K | MLS |
| L | ILS |
| O | VOR |
| T | TACAN |
O que a aeronave declara poder operar, não só o que tem instalado
G, R e Z mandam completar a declaração no Item 18: o campo principal sozinho não conta a história toda.
Enlace de dados declarado como capacidade
| Letra | Capacidade declarada |
|---|---|
| E1 | FMC WPR ACARS |
| E2 | D-FIS ACARS |
| E3 | PDC ACARS |
Nota: as três letras não se excluem — uma aeronave pode declarar E1, E2 e E3 no mesmo campo.
Cada letra declara duas informações de uma vez: a família e o meio
| Letra | Capacidade declarada |
|---|---|
| J1 | CPDLC ATN VDL Modo 2 |
| J2 | CPDLC FANS 1/A HFDL |
| J3 | CPDLC FANS 1/A VDL Modo 4 |
| J4 | CPDLC FANS 1/A VDL Modo 2 |
| J5 | CPDLC FANS 1/A SATCOM (INMARSAT) |
| J6 | CPDLC FANS 1/A SATCOM (MTSAT) |
| J7 | CPDLC FANS 1/A SATCOM (Iridium) |
O ATC não escolhe o meio — escolhe pelo que a aeronave declarou; por isso a letra é uma capacidade e não uma preferência.
O mesmo meio que a cartela usa para dados
| Letra | Capacidade declarada |
|---|---|
| M1 | Omega / ATC RTF SATCOM (INMARSAT) |
| M2 | ATC RTF (MTSAT) |
| M3 | ATC RTF (Iridium) |
Um meio, dois serviços: a cartela separa voz (M) e dados (J) porque o plano de voo declara capacidade, e capacidade de voz não é capacidade de dados.
O que a aeronave pode ser vista fazendo
| Grupo | Descritores |
|---|---|
| SSR Modos A e C | A — transponder Modo A (4 dígitos, 4.096 códigos); C — Modo A e Modo C |
| SSR Modo S | E, H, I, L, P, S, X — combinações de identificação de aeronave, altitude-pressão, extended squitter (capacidade ADS-B) e capacidade de vigilância aprimorada |
| ADS-B | B1 e B2 (capacidade dedicada em 1.090 MHz); U1 e U2 (usando UAT, universal access transceiver); V1 e V2 (usando VDL Modo 4) |
| ADS-C | D1 — capacidades FANS 1/A; G1 — capacidades ATN |
| Trecho | Leitura |
|---|---|
| A | Sistema de pouso GBAS |
| D | DME |
| E3 | PDC ACARS |
| R | PBN aprovado |
| V | VHF RTF |
| H | Modo S: identificação de aeronave, altitude-pressão e capacidade de vigilância aprimorada |
| B2 | ADS-B “out” e “in” em 1.090 MHz |
| U2 | ADS-B “out” e “in” usando UAT |
| V2 | ADS-B “out” e “in” usando VDL Modo 4 |
| G1 | ADS-C com capacidades ATN |
| Grupo | Sufixos declarados |
|---|---|
| SEM DME | /X sem transponder · /T transponder sem Modo C · /U transponder com Modo C |
| DME | /D sem transponder · /B transponder sem Modo C · /A transponder com Modo C |
| SOMENTE TACAN | /M sem transponder · /N transponder sem Modo C · /P transponder com Modo C |
| NAVEGAÇÃO DE ÁREA (RNAV) | /Y LORAN, VOR/DME ou INS sem transponder · /C LORAN, VOR/DME ou INS, transponder sem Modo C · /I LORAN, VOR/DME ou INS, transponder com Modo C |
| RNAV AVANÇADA COM TRANSPONDER E MODO C | /E FMS com atualização DME/DME e IRU · /F FMS com atualização DME/DME · /G GNSS, incluindo GPS ou WAAS · /R RNP · /J /E com RVSM · /K /F com RVSM · /L /G com RVSM · /Q /R com RVSM · /W RVSM |
Com torre: quem emite o clareamento e quem confirma o quê
Cumpra o clareamento como emitido; se não entender ou achar que o perdeu em parte, contate o ATC imediatamente.
O relógio manda: o voo precisa decolar antes do void time
Instalação de comunicação solo-solo, não tripulada e controlada remotamente, para contatar ATC e AFSS por rádio VHF ligado a uma linha telefônica: clareamento por instrumentos ou encerramento de plano VFR/IFR. Usam-se quatro toques na tecla do rádio VHF para a instalação ATC mais próxima e seis toques para a AFSS local; serve apenas em solo. A frequência consta das cartas de aeródromo e de aproximação.
Os designadores das rotas ATS na comunicação por voz
O designador básico de rota ATS foi estabelecido para permitir que pilotos e ATC façam referência sem ambiguidade a aerovias e rotas RNAV: no máximo cinco — e em nenhum caso mais de seis — caracteres alfanuméricos, para ser utilizável pelos sistemas automatizados de solo e de bordo. Compõe-se de uma ou duas letras seguidas de um número de 1 a 999.
A letra básica do designador é pronunciada segundo o alfabeto de soletração da ICAO. Os sufixos F, G, Y e Z não precisam ser usados pela tripulação na comunicação por voz.
Posição, rota esperada e ETA — e quando o radar dispensa o reporte
Perdido o contato radar ou encerrado o serviço radar, os regulamentos exigem reporte de posição sobre os VOR e intersecções designados na rota — os pontos de reporte compulsórios, representados nas cartas IFR em rota por triângulos cheios; triângulos vazios indicam pontos não compulsórios, só reportados quando solicitados pelo ATC.
Em curso direto fora de aerovia, reporta-se sobre os fixos do plano de voo que definem a rota, pois se tornam automaticamente compulsórios — o que também vale no voo IFR com clareamento VFR-on-top. Em ambiente sem radar, os reportes são obrigatórios em aerovia ou em direto e informam posição da aeronave, rota esperada e ETA.
Informado de que está em “contato radar”, o piloto interrompe os reportes de posição sobre os pontos designados e os retoma quando o ATC avisar “contato radar perdido” ou “serviço radar encerrado”. A confirmação de identidade (“ident”, “squawk standby” ou mudança de código) não significa perda de contato radar.
Os procedimentos estão na 14 CFR Part 91, § 91.185 — detalhados no AIM
O piloto alerta a falha selecionando o código 7600 no transponder; durante ela, o bloco de informações na tela de radar pisca com a indicação RDOF (radio failure).
Escutar o ATC em qualquer receptor operacional, inclusive os de navegação (ele pode tentar contato pela frequência de um VOR, VORTAC, NDB ou localizer) e tentar restabelecer as comunicações chamando o ATC em frequência atribuída anteriormente ou uma estação de serviço de voo (FSS).
Os ARTCC têm ao menos um sistema reserva de receptor e transmissor por frequência, posto em serviço rapidamente: a comutação raramente leva mais de 60 segundos. O piloto deve esperar pelo menos um minuto antes de concluir que houve falha de frequência de rádio; não se resolvendo rápido, o ARTCC costuma pedir a uma aeronave próxima que retransmita as instruções na frequência afetada.
Nota: a troca de informações por meio de uma FSS é mais rápida que o relé por rádio de empresa, porque a FSS tem linhas de interfone diretas com o setor responsável do ARTCC; havendo escolha entre as duas alternativas, recomenda-se o relé pelo rádio da FSS.
Mantendo escuta na frequência afetada, se a carga de trabalho e os equipamentos permitirem:
1. não se estabelecendo a comunicação bilateral com o ARTCC depois da troca de frequência, tentar retomar o contato com o controlador que fez a transferência, para receber frequência alternativa ou outras instruções;
2. se a falha ocorrer depois de estabelecida a comunicação bilateral, tentar restabelecer o contato com o centro em outra frequência conhecida do ARTCC — de preferência a do próximo setor responsável, quando praticável — e pedir instruções; se a próxima troca normal de frequência na rota envolver outra instalação ATC, contatar essa instalação, se viável. Não sendo possível por nenhum dos métodos, pedir instruções à FSS apropriada à rota de voo.
VFR quando possível, a rota do último clareamento e a altitude que prevalece
Continuar em VFR, se possível, e pousar assim que for praticável — “praticável” não significa “possível”: o piloto não é obrigado a pousar em aeródromo não autorizado, inadequado ao tipo de aeronave, ou poucos minutos antes do destino pretendido. Se prevaírem condições IFR, cumprir os procedimentos regulamentares de separação das aeronaves.
(1) a rota atribuída no último clareamento; (2) se vetorado por radar, a rota direta do ponto da falha até o fixo, a rota ou a aerovia especificados no clareamento de vetoração; (3) na ausência de rota atribuída, a rota que o ATC avisou para esperar em clareamento posterior; (4) na ausência de rota atribuída ou esperada, a rota arquivada no plano de voo.
MEA e MCA no fixo: se a altitude atribuída ou esperada não for tão alta quanto a MEA do segmento seguinte, o piloto normalmente inicia a subida para a MEA mais alta ao chegar ao fixo onde ela sobe; havendo MCA publicada nesse fixo, começa a subida para estar na MCA ou acima dela ao atingi-lo. Se o segmento seguinte tiver MEA mais baixa, descer para a altitude aplicável — a última atribuída ou a esperada em clareamento posterior — ao chegar ao fixo onde a MEA diminui.
Os procedimentos de falha de comunicação radiotelefônica bidirecional em IFR devem ser cumpridos, salvo autorização em contrário do ATC: visam evitar operações IFR prolongadas sem rádio no sistema ATC, que afetam os demais usuários do espaço aéreo.
Nenhuma travessia é presumida: ela é dita pelo solo e repetida pela tripulação.
A autorização de entrar na pista não move a aeronave — só a de decolar move.
Em espaço aéreo controlado, o rádio bidirecional com o órgão de controle de tráfego aéreo não é conveniência: é condição de entrada — sem essa capacidade, o voo não pode ser conduzido na área, salvo autorização expressa do ATC.
| Classe de espaço aéreo | Equipamento | Requisito de entrada | Certificado mínimo do piloto |
|---|---|---|---|
| A | Equipado para IFR | Autorização do ATC | Habilitação de voo por instrumentos |
| B | Rádio bidirecional e transponder com reporte de altitude | Autorização do ATC | Piloto privado (com as ressalvas abaixo) |
| C | Rádio bidirecional e transponder com reporte de altitude | Comunicações radiotelefônicas bidirecionais antes da entrada | Nenhum requisito específico |
| D | Rádio bidirecional | Comunicações radiotelefônicas bidirecionais antes da entrada | Nenhum requisito específico |
| E | Nenhum para VFR | Nenhum | Nenhum requisito específico |
| G | Nenhum | Nenhum | Nenhum requisito específico |
Aqui o rádio não abre a porta sozinho — ele é a condição para pedir que ela abra.
As classes C, D, E e G e o que cada uma pede do rádio.
O outro requisito de entrada, e a data em que ele passou a valer.
As condições do VFR e os passos do IFR, na ordem em que devem ser seguidos.
SOB VFR
SOB IFR
Com quem se fala, por qual meio, com que garantia — e o que sustenta o voo quando ela falha.