Proteção Diferencial e Operação em Paralelo
no Sistema Elétrico da Aeronave

O relé de corrente diferencial: o que ele compara e a corrente que não retorna pela zona

Bibliografia: INSTITUTO DE AVIAÇÃO CIVIL. Aircraft electrical systems: AC 65-9A — Cap. 9: Geradores e motores. Acessar materialFEDERAL AVIATION ADMINISTRATION. Aviation maintenance technician handbook — General: FAA-H-8083-30A — Cap. 12. Acessar material

Prof. Fabriciu Alarcão Veiga Benini
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico · Área Aeronáutica
Engenheiro Eletricista · Mestre em Sistemas Dinâmicos · Doutor em Telecomunicações
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA SÃO PAULO
Campus São Carlos
O sistema na aeronave

Onde a energia da aeronave se reúne — a barra

  • Toda a energia gerada na aeronave se reúne num ponto comum: a barra.
  • A barra é o nó por onde passa a alimentação dos equipamentos de bordo.
  • Da barra partem os circuitos que distribuem essa energia pela aeronave.
  • É na barra que as fontes se somam — e é por ela que uma falha se espalha.
barrafontescircuitos
O sistema na aeronave

Dois ou mais geradores, uma barra — a aeronave multimotora

  • A aeronave multimotora tem mais de uma fonte de energia a bordo.
  • Cada motor aciona o seu próprio gerador ou alternador.
  • Todos alimentam a mesma barra, ao mesmo tempo.
  • Com isso, a perda de um não deixa a aeronave sem energia.
  • Fontes trabalhando juntas numa barra: é a operação em paralelo.
alternador 1alternador 2barra
O sistema na aeronave

Por que desconectar rápido: a janela entre a falha e o dano

  • Havendo falha elétrica, o alternador tem de sair da barra.
  • Os disjuntores abrem rápida e automaticamente.
  • Retirado a tempo, evita-se que ele queime.
  • A correção rápida também diminui o perigo de incêndio e o dano ao sistema.
  • Entre a falha e o dano há uma janela de tempo: a proteção existe para caber nela.
FALHAjanelaDANOproteção
O sistema na aeronave

Duas tarefas do sistema: proteger e repartir

  • O sistema elétrico da aeronave tem duas tarefas distintas.
  • Proteger: retirar da barra a máquina que falhou, antes que ela queime.
  • Repartir: fazer os que permanecem dividirem a carga entre si.
  • A proteção age depois que algo falhou; a repartição evita que a falha nasça do procedimento.
protegercortarepartirdividebarra
Proteção do alternador

O que precisa ser protegido no alternador

  • Um alternador não pode continuar ligado à barra depois que a falha aparece.
  • Os contatos precisam abrir rápido e automaticamente — senão ele queima.
  • Curto interno: entre as fases ou à massa.
  • Curto na linha: carga excessiva e campo acima do normal.
  • Alternador vizinho inoperante: a carga passa para quem fica.
  • A ação é sempre a mesma: retirar o alternador da barra.
barracurto internoentre fasescurtona linhavizinhoinoperanteincêndio oudanoalternador
Proteção do alternador

A família de relés do circuito

  • A proteção não é um só relé: é um conjunto.
  • O excitador é o enrolamento de campo do alternador — quem cria o campo.
  • O campo é energizado em corrente contínua — em CA pesaria mais.
  • Vigia duas grandezas: corrente de linha e corrente de campo.
  • Relés de sobrecarga e diferencial: corrente de linha.
  • Relé do excitador (térmico): corrente de campo.
Figura da aula
Como ler a figuraLocalize as duas grandezas vigiadas: corrente de linha e corrente de campo; siga o comando que leva à abertura dos contatos.
Proteção do alternador

O dispositivo: o que o relé diferencial compara

  • Nome completo: relé de proteção de corrente diferencial.
  • A comparação é dentro da mesma fase, nunca entre fases.
  • Ele confronta a corrente que entra em uma fase com a corrente que sai dessa mesma fase.
  • As duas correntes passam pelo mesmo núcleo toroidal, dentro do relé.
Figura da aula
Como ler a figuraObserve o par de condutores de uma mesma fase entrando pela mesma abertura toroidal — é esse par que o relé compara.
Proteção do alternador

O que ele mede é a diferença, não a intensidade

  • Enquanto entra e sai a mesma corrente, o relé não opera.
  • A intensidade não importa: a igualdade mantém o relé parado.
  • Entram 200 A e saem 200 A: diferença zero, nada acontece.
  • Entram 200 A e saem 197 A: diferença de 3 A — há caminho paralelo na zona.
  • O relé mede uma diferença, não um patamar de corrente.

I_dif = I_entra − I_sai

entra 200 Asai 200 Adiferença 0entra 200 Asai 197 A3 Adiferença 3 A
Proteção do alternador

Como o relé mede: os transformadores de corrente

  • Os dois fios de cada fase atravessam as aberturas circulares do relé.
  • Cada abertura é o núcleo de um transformador de corrente.
  • Os condutores são o primário; o secundário aciona o mecanismo de contatos.
  • O relé não entra em série na linha: os condutores apenas atravessam.
  • A ligação com a potência é pelo acoplamento magnético, sem corte na linha.
Figura da aula
Como ler a figuraOlhe os núcleos toroidais: os condutores que atravessam a abertura são o primário; o secundário aciona os contatos.
Proteção do alternador

Por que a comparação funciona: campos que se cancelam

  • Os dois condutores da fase atravessam o mesmo núcleo, em sentidos opostos.
  • Em operação normal, os ampères-espiras (força magnetomotriz: corrente × voltas) de um anulam os do outro.
  • Sem fluxo no núcleo, não há corrente no secundário; o relé fica parado.
  • O relé opera quando uma falha desequilibra as correntes e cria corrente no secundário.
  • Partida, carga pesada ou leve não o acionam — só o desequilíbrio.
campos opostos se anulamsecundário 0
Proteção do alternador

Operação normal × falta: a variável é a igualdade

  • Normal: a corrente entra e sai da zona com a mesma intensidade.
  • Os campos se cancelam, nada flui no secundário e o relé não opera.
  • Falta: um curto interno desequilibra as correntes e cria uma diferença nas linhas.
  • O desequilíbrio faz fluir corrente no secundário e o relé opera.
  • O que muda não é o valor da corrente: é a igualdade.
200 Anormalsecundário zerofaltasecundário acende
Proteção do alternador

Curto entre fases e falta à massa: os três caminhos de retorno

  • Na mesma abertura toroidal, três caminhos de retorno: normal, curto entre fases e falta à massa.
  • No normal, as setas iguais e opostas zeram o secundário; nos dois defeitos, ele acende.
  • Mais usado nas aeronaves de grande porte: numa multimotora, cobre cada máquina da barra.
  • Se o próprio relé diferencial falhar (não operar), quem cobre é o relé de proteção do excitador.
secundário0normaloutra fasecurto entre fasesfalta à massa
Proteção do alternador

Um detector cobre os dois defeitos

  • Curto entre fases: o isolamento falha entre dois enrolamentos e a corrente retorna por outra fase.
  • Falta à massa: o isolamento falha contra a massa e a corrente retorna pelo chassi.
  • Nos dois, a corrente que entra difere da que sai.
  • Basta a ida e o retorno de cada fase na abertura: um detector cobre os dois defeitos.
curto entre fasesfalta à massadetector
Proteção do alternador

A corrente que não retorna pela zona

  • Numa fase sadia, a corrente que entra pelo condutor de ida sai pelo de retorno.
  • Rompido o isolamento na zona, parte dela não volta pelo condutor de retorno (o que se chama de corrente de fuga).
  • Essa parcela circula pela falha, entre as fases ou para a massa.
  • É essa parcela que o secundário enxerga — e ela faz o relé operar.
  • Não confundir: esta é a corrente que não retorna — não é uma simples inversão de sentido.
não retorna pela zona
Proteção do alternador

A zona protegida e a sua fronteira

  • A zona protegida é o interior do alternador: enrolamentos, terminais internos e isolamento.
  • Ela termina onde os dois fios de cada fase atravessam a abertura do relé.
  • Fora do percurso, a corrente de entrada e a de saída são iguais.
  • Falha na zona — enrolamento, terminal interno, isolamento à massa: atua.
  • Falha fora — fiação, barra, disjuntores, carga: não atua.
  • Fora da zona respondem o relé protetor de sobrecarga e o relé de proteção do excitador.
alternadorlinhabarracargadentroforafronteira
Proteção do alternador

A religação: quando a zona muda

  • A zona depende do caminho físico: os dois fios de cada fase atravessam a abertura do relé.
  • Depois de reparo no chicote, troca do relé ou do alternador, a religação segue as instruções do fabricante.
  • Condutor pelo lado errado, ou pelo número errado de voltas, muda a zona.
  • Resultado: o relé fica cego para a falha ou atua sobre carga normal.
  • Há grande número de sistemas: seguir o manual em todos os casos.
volta a maisfica cego para a falhaatua sobre carga normal
Proteção do alternador

O que abre a linha: CLOSE, TRIP e a trava mecânica

  • Quem abre a linha é o contator da linha principal.
  • A bobina CLOSE é um eletroímã de CC que fecha os contatos.
  • A bobina TRIP libera os contatos e abre o circuito.
  • Só o pulso momentâneo de CLOSE e TRIP é necessário.
  • Uma trava mecânica mantém os contatos fechados até a TRIP liberá-la.
  • Não precisa manter a CLOSE energizada para o alternador ficar na barra.
Figura da aula
Como ler a figuraLocalize o contator da linha: a bobina CLOSE fecha os contatos e a TRIP libera a trava.
Proteção do alternador

A cadeia de desarme, passo a passo

  • O relé diferencial não abre a linha — ele arma o desarme.
  • A excitação do excitador cai antes de a linha abrir.
o relé arma o desarmerelé diferencialTRIP do excitadorTRIP do contatorcontatos abremsai da barracampoo campo cai antes
Proteção do alternador

A cadeia de desarme: do relé ao contator

  • Desequilíbrio na zona → os contatos do relé diferencial fecham.
  • A TRIP do excitador abre o campo do excitador.
  • A TRIP do excitador fecha a TRIP do contator da linha principal.
  • O contator abre os contatos principais: o alternador sai da barra.
  • Na sobrecarga, o relé térmico abre o campo e desliga o alternador ao mesmo tempo.
  • A excitação cai antes da linha: o alternador não segue gerando sobre uma linha rompida.
detecção no reléTRIP do excitadorTRIP do contatorcontatos abremsai da barra
Proteção do alternador

O alternador fora da barra: a carga migra

  • A carga do alternador que saiu migra para o que permanece na barra.
  • A corrente de campo do remanescente sobe para fornecer a carga maior.
barraalternadoralternadorcarga migracampo sobe
Proteção do alternador

O que acontece com quem fica na barra

  • A retirada da barra pode ser automática ou por comando remoto.
  • Com o alternador fora, os que ficam passam a alimentar essa carga.
  • Havendo carga excessiva, a voltagem do excitador do que fica sobe para fornecer a carga maior.
  • O relé térmico do excitador atua quando a corrente de campo cresce o bastante para causar danos.
  • Os disjuntores devem abrir rápida e automaticamente — senão o alternador pode queimar.
antesdivididadepoisassume tudo
Proteção do alternador

O que se inspeciona no alternador

  • A unidade deve ser mantida limpa e as ligações elétricas firmes.
  • Verificam-se as escovas do excitador quanto a desgaste e ao estado das superfícies.
  • Parte áspera do comutador ou do anel do coletor: lixar levemente com lixa 000.
  • O relé diferencial: montagem firme, contatos sem queimaduras, teste de continuidade; a troca é por condição, não por horas de voo.
  • Após a retirada, a barra individual pode ser checada operando o equipamento ligado a ela.
  • Registro de desarme, ligações firmes e condições das escovas guiam a decisão.
Proteção do alternador

O relé de sobretensão: o guardião do limite superior

  • Quando a saída do gerador atinge 32 V, o relé de sobretensão fecha.
  • O fechamento desarma a bobina do relé de controle do campo.
  • O campo abre em paralelo por um resistor: a corrente de campo cai e a voltagem acompanha.
  • Uma luz de aviso acende no painel.
  • O sistema só rearma no RESET do interruptor da cabine.
  • Em multimotor, o circuito do interruptor e o de equalização também abrem.
Proteção do alternador

A proteção do excitador (térmica)

  • O dispositivo é o relé de proteção do excitador, operado termicamente.
  • Opera quando a corrente de campo do excitador sobe a ponto de causar danos ao alternador.
  • Carga excessiva (curto na linha ou vizinho inoperante) eleva a voltagem do excitador.
  • O relé térmico fecha a TRIP: abre o campo e desliga o alternador da linha.
  • O retardamento permite superexcitação (o campo acima do normal, por instantes) e evita o desarme na primeira ponta de corrente.
carga excessivacorrente de campo soberelé térmico fecha a TRIPcampo e linha desligamretardamento (exceção)
Proteção do alternador

Voltagem abaixo do previsto: o quadro de subtensão

  • Subtensão: a voltagem de saída fica abaixo da especificada.
  • Se o alternador deixa de fornecer a voltagem prevista, a sequência do manual é:
  • testar o voltímetro · comparar com outro voltímetro ou com os outros alternadores · verificar a fiação, as escovas e a unidade de transmissão.
  • Sem pane identificada, o excitador pode ter perdido o magnetismo residual — recuperável pela excitação do campo.
  • Sem indicação de voltagem depois disso, o alternador é substituído.
a voltagem fica abaixo1 testar o voltímetro2 comparar com outro3 verificar a fiaçãomagnetismo residualsubstituir o alternador
Proteção do alternador

Sem excitação, sem voltagem

  • Sem corrente de campo não há voltagem: a excitação cria o campo magnético do alternador.
  • A perda de excitação retira o alternador de operação sem falha de isolamento.
  • Dois pontos governam o campo: o relé de controle do excitador e o contator da linha principal.
  • O contato auxiliar do contator fecha o campo sempre que os contatos principais se fecham.
  • Linha e campo abrem juntos: a excitação cai antes da saída da barra.
campoalternadorlinha principalacoplamento mecânico
Paralelismo CC

Geradores em paralelo: o que é

  • Dois ou mais geradores na mesma carga estão em paralelo.
  • Cada um fornece uma parte proporcional da corrente total.
  • A repartição vem das máquinas — e exige-se que a carga seja distribuída por igual.
  • Um pequeno aumento de voltagem faz um gerador assumir quase tudo.
  • Assim se somam as capacidades numa única barra.
Figura da aula
Como ler a figuraOlhe os dois amperímetros, um por gerador: é a parcela de corrente que cada um assume.
Paralelismo CC

Ampère-carga: por que a corrente mede a carga

  • A potência de um gerador é chamada de ampères-carga.
  • É medida em watts: voltagem × corrente.
  • Com a voltagem considerada constante, sobra a corrente como medida.
  • Ler a corrente de cada gerador é ler a parcela que ele entrega.
  • Daí o painel trazer amperímetros, e não wattímetros.

P = V × I — com V constante, P ∝ I.

Figura da aula
Como ler a figuraOlhe só os amperímetros de cada gerador; a leitura deles é a parcela de carga que a máquina entrega.
Paralelismo CC

A divisão da corrente entre dois geradores

  • A corrente total é a soma das correntes de cada gerador.
  • Com 300 A no total, a divisão igual dá 150 A em cada.
  • A divisão é comandada pela voltagem de saída de cada gerador.
  • Tensão maior assume mais corrente; tensão menor, menos.
  • Nada iguala sozinho: depende dos reguladores.
  • É o papel do sistema de equalização.

I₁ + I₂ = I_total; em equilíbrio, 150 A cada (300 A / 2).

300 A150 A150 AI₁ + I₂ = I_totala divisão é comandada pelavoltagem de saída
Paralelismo CC

Quando um gerador não acompanha

  • Um pequeno aumento de voltagem faz um gerador assumir quase tudo.
  • Com 300 A, pode dar 100 A num e 200 A no outro.
  • Surge corrente de equalização, que corrige as tensões.
  • Com carga pequena, a bobina de corrente não arma e o relé não fecha.
  • Carga maior: a equalização sobe a tensão e o relé fecha.
  • Uma vez fechados, os contatos se retêm até o comando desligar ou a velocidade cair.
Figura da aula
Como ler a figuraSiga o trajeto: relé de voltagem, relé diferencial de duas bobinas e o contator principal.
Paralelismo CC

"Diferencial" em dois sentidos

  • Diferencial nomeia dois dispositivos distintos.
  • Corrente diferencial: compara a corrente que entra e a que sai de cada fase.
  • Diferencial do gerador CC: compara a voltagem do gerador com a da barra.
  • O primeiro protege o alternador de curtos internos.
  • O segundo liga e desliga o gerador da barra.
  • Mesmo apelido, grandezas diferentes.
corrente diferencialcorrente: entra × saidiferencial do gerador CCvoltagem: gerador × barramesmo apelido,grandezas diferentes
Paralelismo CC

O relé diferencial do gerador CC: fecha e abre

  • Fecha quando o gerador excede a barra: o IAC (manual brasileiro) pede 0,35 a 0,56 V.
  • A 22 V (arme do manual), o relé de voltagem arma o circuito.
  • Abre na corrente reversa — falha do regulador, do motor ou da excitação.
  • A corrente reversa enfraquece o ímã e a mola abre os contatos; sobrecarga não é causa.
  • O piloto também corta no interruptor.

V_gerador > V_barra + 0,35 V | arme ≥ 22 V

Esquema do relé de controle diferencial (IAC)Relé diferencial do gerador em corte (FAA)
Como ler a figuraSiga o trajeto nas duas figuras: o relé de voltagem arma e o diferencial fecha o contator.
Paralelismo CC

O que há dentro do relé que fecha e abre

  • Três peças: relé de voltagem, diferencial e contator.
  • Duas bobinas no mesmo núcleo.
  • Bobina de voltagem: muitas espiras finas, em paralelo.
  • Bobina de corrente: poucas espiras grossas, em série.
  • Ímãs pivotados entre as peças polares (faces do eletroímã) giram e fecham os contatos.
  • Limiar: o IAC (brasileiro), 0,35 a 0,56 V; o FAA (americano), 0,35 a 0,65 V — autoridades distintas, ambas válidas; ajuste do conjunto, não constante física.

V_ger > V_bar + 0,35 V

voltagemcorrenteímã pivotadocontato
Paralelismo CC

O gerador não conecta: por onde procurar

  • Sintoma: o gerador ganha voltagem, mas não entra na barra.
  • 1.º o interruptor alimenta a bobina do relé de voltagem.
  • 2.º a 22 V ele fecha e energiza a bobina diferencial.
  • 3.º o contato do diferencial fecha e o contator liga a barra.
  • São duas bobinas de voltagem: a do relé (22 V) e o enrolamento L5 — a bobina de voltagem do relé diferencial.
  • Causa provável: L5 aberto — confirme por continuidade.
bobina de voltagem1relé de voltagem2contatos e interruptor3teste de continuidade4
Paralelismo CC

As duas ligações do paralelismo

  • O paralelismo CC tem duas ligações: negativa e positiva.
  • Nas duas, mede-se a corrente e corrige-se a voltagem.
  • Comum às duas: a bobina de equalização no núcleo do regulador; muda só a posição do resistor calibrado.
  • Negativa: o resistor vai do terminal "E" (ponta do resistor calibrado) à massa.
  • Positiva: os resistores ficam nos terminais "K" e "D" (as pontas do circuito de equalização).
Figura da aula
Como ler a figuraLocalize o que é comum às duas ligações: a bobina de equalização no núcleo do regulador.
Paralelismo CC

Ligação negativa: a queda no resistor calibrado

  • Com corrente máxima, a queda no resistor é de 0,5 V.
  • Correntes iguais → quedas iguais → sem sinal.
  • Correntes diferentes → sinal: 150 A dá 0,25 V; 300 A dá 0,5 V.
  • A corrente vai do "E" de maior corrente para o de menor.

E = I × R (300 A → 0,5 V; 150 A → 0,25 V).

Figura da aula
Como ler a figuraOlhe o resistor calibrado entre o terminal 'E' e a massa; a queda maior deixa esse ponto em potencial mais alto.
Paralelismo CC

Ligação positiva: o sinal nos terminais K e D

  • Equilíbrio: 150 A em cada, sem corrente.
  • Desequilíbrio: 100 A num e 200 A no outro.
  • Lei de Ohm: 200 A dá 0,5 V; 100 A dá 0,25 V.
  • A diferença de 0,25 V empurra a corrente no sentido das setas.

E = I × R (200 A → 0,5 V; 100 A → 0,25 V; Δ = 0,25 V).

equilíbrioreguladorreguladorRRKD150 A150 Asem correntedesequilíbrioreguladorreguladorRRKD100 A200 AΔ 0,25 V0,25 V0,5 V
Paralelismo CC

O efeito da corrente de equalização nos reguladores

  • No regulador 1, bobina de equalização e de voltagem se opõem: o eletroímã enfraquece.
  • A mola comprime os discos de carvão do regulador (encostados, a resistência cai) e a voltagem do gerador 1 sobe.
  • No regulador 2, os campos se auxiliam.
  • Menos pressão nos discos, mais resistência: a voltagem do gerador 2 cai.
  • As quedas nos resistores se igualam e a equalização cessa.
Figura da aula
Como ler a figuraNas bobinas de cada regulador: a corrente de equalização se opõe no regulador 1 e se auxilia no 2.
Paralelismo CC

Como se ajusta cada gerador

  • A operação pede voltagem constante.
  • Só a corrente de campo se controla: a velocidade vem do motor.
  • Mais resistência no campo → menos campo → voltagem cai; menos resistência → sobe.
  • Nos reguladores, mola e reostato do eletroímã fixam o valor mantido.
  • Ajustar a voltagem é ajustar a corrente de campo.

I_campo = V / R_campo.

Figura da aula
Como ler a figuraLocalize o reostato de campo: é mudando essa resistência que a voltagem do gerador se corrige.
Paralelismo CC

Regulagem mal ajustada: 100 / 200 A

  • Tensões diferentes: o de maior tensão assume a maior parte da carga.
  • Com 300 A totais, pode ser 100 A num e 200 A no outro.
  • O sobrecarregado chega perto do nominal; nele atua o limitador de corrente — o regulador que limita a corrente de saída.
  • É ele que mais castiga as escovas e o comutador.
  • O ocioso trabalha abaixo da capacidade.
  • Leituras desiguais com carga constante apontam para o circuito de equalização.
carga total: 300 Agerador 1100 Agerador 2200 Asuspeita:circuito de equalização
Paralelismo CA

Por que sincronizar antes de ligar

  • Ligar um alternador à barra em operação exige condições satisfeitas antes.
  • No CC bastava acertar voltagem e divisão de carga.
  • No CA existem, além dessas, a sequência de fase — a ordem em que as três fases atingem o pico: "A", "B", "C" — e a frequência.
  • Fechar fora de fase liga as duas fontes uma na outra, sem carga entre elas — o curto-circuito virtual.
  • A diferença de potencial aplica-se sobre os enrolamentos.
barra emoperaçãoalternadorentrantecarganão passa pela cargao efeito é o mesmo quecurto-circuitar dois fios
Paralelismo CA

As três condições simultâneas

  • Para sincronizar, três coincidências simultâneas:
  • Mesma sequência de fase (padrão "A", "B", "C"), voltagens iguais (a do alternador = a da barra) e frequências iguais (velocidade do entrante = a dos já ligados).
  • A frequência padrão dos sistemas CA de aeronave é 400 Hz.
  • Fase se checa por duas lâmpadas indicadoras pequenas; se errada, invertem-se dois fios.
  • Voltagem e frequência se ajustam nos reostatos do painel.

frequência diretamente proporcional à velocidade: f ∝ n

circuito trifásicoABCduas lâmpadas indicadorasf ∝ n
Paralelismo CA

A corrente de circulação

  • Sem coincidência de fase, o que aparece não é carga: é corrente de circulação — o curto-circuito virtual.
  • As duas fontes ficam em oposição momentânea de fase, e o caminho são os próprios enrolamentos e as ligações — não há carga.
  • A energia se converte em calor e esforço sobre os enrolamentos.
  • Pode chegar à ordem da corrente nominal, sem fornecer um watt.
  • A proteção é o último recurso; evitar a causa é o procedimento.
fonte 1fonte 2o caminho: os enrolamentossó aquece, sem carga
Paralelismo CA

A lâmpada de sincronização

  • A leitura do sincronismo é feita pela lâmpada de sincronização (popularmente, "sincroscópio").
  • Ela é ligada entre fases correspondentes: fase "A" da barra e fase "A" do alternador.
  • Pisca rápido quando as duas frequências ainda estão distantes, e devagar à medida que se aproximam.
  • Apagada significa que não há voltagem entre as duas fases "A".
  • Fecha-se o interruptor com o pisca-pisca de um ou menos por segundo, com a lâmpada apagada.
Figura da aula
Como ler a figuraA lâmpada entre as duas fases "A": é o ritmo do pisca dela que indica o instante de fechar.
Paralelismo CA

A sequência prática de sincronizar

  • Antes de fechar: fase, voltagem e frequência.
  • Fase: duas lâmpadas indicadoras, sequência "A", "B", "C".
  • Voltagem: reostato do painel.
  • Frequência: medidor de frequência e reostato de velocidade.
  • Fechamento: pisca a um por segundo ou menos, com a lâmpada apagada.
  • Depois: conferir pelos amperímetros a divisão.
Figura da aula
Como ler a figuraObserve as duas lâmpadas: na sequência ABC, uma acende; com os cabos invertidos, a outra acende.
Paralelismo CA

Carga positiva e carga reativa

  • A carga no CA tem duas parcelas: positiva (também dita ativa) e reativa.
  • As duas precisam ser divididas entre os alternadores.
  • A condição: cada alternador conduzindo a mesma carga.
  • Em paralelo, a de voltagem mais alta entrega mais corrente.
  • Cada parcela tem seu comando: a voltagem pelo campo; a frequência, pela velocidade da máquina.

I_total = I₁ + I₂, com I₁ = I₂ na condição de paralelismo correto

carga positivacarga reativaalternador 1I₁alternador 2I₂em cada alternador:campo → voltagemvelocidade → frequênciaI₁ = I₂: a mesma carga
O que fica

Revisão: a proteção, ideia por ideia

  • A proteção retira o alternador da barra quando há pane no circuito.
  • Ela só funciona se os disjuntores abrirem rápida e automaticamente.
  • O relé diferencial abre pela diferença entre o que entra e o que sai da zona.
  • O relé do gerador CC abre pela corrente reversa.
  • O desarme tem ordem: primeiro cai a excitação, depois a linha.
  • O que não coincide vira diferença — e é isso que o relé enxerga.
relé diferencialo que entra × o que sairelé do gerador CCcorrente reversaexcitaçãolinhaexcitação antes da linha
O que fica

Revisão: o paralelismo, ideia por ideia

  • No CC, dois geradores na mesma barra dividem a carga pela voltagem.
  • O circuito de equalização corrige o desequilíbrio pelos resistores calibrados.
  • No CA, é preciso coincidir sequência de fase, voltagem e frequência.
  • Fecha-se com a lâmpada apagada e o pisca em um ou menos por segundo.
  • Depois de ligado, cada alternador conduz a mesma carga.
  • O que não coincide vira corrente de circulação — só aquece.
CCgeradores CCmesma barraCAalternadoresno fechamentoo que não coincide viracorrente de circulação
O que fica

O que fica para a sua bancada

  • Proteger é o que se faz quando algo já falhou: tirar o alternador da barra antes que ele queime.
  • Operar em paralelo é o que se faz para que a falha não seja criada pelo próprio procedimento.
  • Conhecer a fronteira da zona protegida evita desarme indevido e incêndio.
  • Dominar a sincronização evita a corrente de circulação que só aquece enrolamentos.
  • É isso que o seu trabalho entrega no sistema elétrico da aeronave.
Figura da aula
Como ler a figuraO conjunto motor-alternador de bancada: é nele que o assunto desta aula reaparece na prática.
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